22 novembro 2006

Almoço

Hoje eu comecei um freela num estúdio novo. Não conhecia ninguém por lá.

Durante toda a manhã trabalhei numa embalagem de nuggets de frango enquanto escutava música no meu iPod. Não conversei com ninguém.

Na hora do almoço me convidaram para ir num restaurante por kilo. Na intenção de me enturmar, aceitei o convite. Me surpreendi quando me sentei e olhei para o meu prato. Nuggets! A conversa não engatou de imadiato. Alguns silêncios pontuavam a refeição. Como as primeiros assuntos não me interessavam muito, comecei a divagar.

Que assuntos seriam interessantes nessa hora? Eu gosto de falar sobre café e ansiedade. Também gosto de pensar sobre ética comparada. Existem vários assuntos que são melhores pensados do que falados. Entrei em longos debates comigo mesmo, mas tomei o cuidado de não mexer a boca. Queria terminar a primeira refeição sem passar pelo constrangimento de ser tachado de maluco.

Voltei ao planeta terra quando capturei uma frase sobre um vídeo no Youtube. Eu já havia terminado meu prato, e todos ainda comiam. Provavelmente me consideravam afobado e estranho, mas acho que escapei da pecha de louco.

Na volta ao estúdio, paramos um minuto para um café. Sem hesitar saquei meu maço de cigarros. Estava sem isqueiro. No curtíssimo tempo que eu levei para encontrar algum fumante que pudesse acender meu cigarro, meus colegas já se haviam ido. Terminei de fumar sozinho.

Ao entrar no edifício notei que havia esquecido o crachá na sala. Fui barrado na portaria.

Sem saber o que fazer, calculei o valor de todos os objetos que havia deixado sobre a mesa. Um crachá do prédio, um isqueiro e uma revista semanal. Pus de um lado da balança o isqueiro e a revista, e do outro o crachá, simbolizando a embalagem de nuggets e o magro ordenado que viria dela.

Fui embora, para nunca mais voltar. Agora sim, todos devem me considerar louco.

Um comentário:

Anônimo disse...

Dave, que tu é maluko eu já sabia... Mas... não tô entendendo, tu começou esse trampo ontem e no primeiro dia já escreve que "foi para não mais voltar"; será que foi porque teus novos colegas te abandonaram num dos momentos mais importantes, o do cigarrinho?? Certo... hj a noite tu me explica isso! Bjos Aline.