<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-35144988</id><updated>2011-06-04T13:57:28.066-03:00</updated><title type='text'>Cafeína SP</title><subtitle type='html'>Crônicas de um paulistano sob o efeito da cafeína</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cafeinasp.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeinasp.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Cafeína SP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06077395749110528869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>30</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35144988.post-5499675859293834190</id><published>2007-09-20T22:12:00.001-03:00</published><updated>2007-09-20T22:12:32.862-03:00</updated><title type='text'>Jantar</title><content type='html'>Fui jantar no meu bar favorito. Com minha ex-mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse tipo de encontro sempre guarda a possibilidade de uma conversa potencialmente tensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu cheguei antes. Uns tantos minutos antes. Haviam conhecidos por lá. mas eu, que não queria dividir a atenção com ninguém - habilmente evitei ser visto e me sentei de costas para o salão, voltado para o bar e suas altas paredes com prateleiras até o teto, com centenas, talvez milhares de garrafas de bebidas destiladas enfileiradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso era bom. Se a conversa ficasse muito pesada ou se eu me irritado poderia usar do infalível artifício de catalogar as marcas de cachaça mentalmente. Experimente isso você também! Dá uma sensação de conforto, segurança e tranquilidade que anestesia qualquer sensação ruim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto esperava comandei uma porção de azeitonas pretas, um chopp claro e uma cachacinha. Claudionor. É uma aguardente deliciosa mas tem um defeito. O nome é de travesti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um copo de chopp, uma dose de cachaça e meia porção de azeitonas depois meu celular tocou. Era minha ex-mulher perguntando o endereço. Com o trânsito e a habitual dificuldade de encontrar vagas calculei quanto tempo ela levaria e conclui que cabia mais uma cachaça antes dela chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conversa foi boa. Calorosa até. E não era apenas a cachaça. O bom humor e o estado de espírito dela encheram minha alma de boas energias. Não me dei contas na hora, mas estava imbuído de uma nostalgia que se consumava, uma lembrança revivida dos nossos bons tempos como companheiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedimos os pratos, comemos, bebemos, pedi uam sobremesa e depois um café. Paguei a conta sem perceber. Caminhamos juntos até o carro dela e nos despedimos com promessas de repetir o programa, quem sabe até com mais amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coisa só assentou quando cheguei em casa. Só. Escovei os dentes e fui me deitar. Como sempre a janela estava aberta, e a luz da rua iluminava o teto do quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus sonhos foram felizes, mas ao acordar - um pouco melancólico - não consegui me lembrar do enredo de nenhum deles. Nem dos personagens. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas podia adivinhar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35144988-5499675859293834190?l=cafeinasp.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeinasp.blogspot.com/feeds/5499675859293834190/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35144988&amp;postID=5499675859293834190' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/5499675859293834190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/5499675859293834190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeinasp.blogspot.com/2007/09/jantar.html' title='Jantar'/><author><name>Cafeína SP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06077395749110528869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35144988.post-7484163499756013156</id><published>2007-09-14T21:57:00.001-03:00</published><updated>2007-09-14T21:59:10.836-03:00</updated><title type='text'>Férias</title><content type='html'>Um período de férias me foi forçado por superiores no trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que eu não as merecesse. Simplesmente não sabia o que fazer com tempo livre. Tinha medo desse tempo livre. Tinha pavor de ter que encontrar pessoas nesse tempo livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomei a decisão de me lançar numa "road trip" solitária, que subisse a costa do Brasil até Salvador e voltasse por Brasília e depois Belo Horizonte. Era evidente a falta de planejamento. Os poucos amigos que souberam da idéia estapafúrdia não entendiam a razão de uma viagem tão estranha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só eu sabia que era para poder ficar isolado de qualquer contato humano pelo período mais longo possível. Eu teria que dirigir muitas horas, todos os dias. E intimamente já sabia que pararia apenas em lugares desolados para pernoitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a vida é cheia de surpresas... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que o Bala-de-Prata - meu fiel Celta 1.0 - pôs as rodas na estrada o sol brilhou. A correntinha da sorte devolveu a luz numa faísca. Acendi o cigarro que pendia do canto da boca e arrumei os óculos escuros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguma coisa mudou em mim nessa hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava vibrante. Meu sangue, que por meses parecia gelado, ferveu. Senti um calor nas costas e no pescoço. Uma pressa gostosa de viver aquela viagem e os milhões de surpresas que me aguardavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já na segunda parada noturna eu me esqueci da meta de falar com o menor número de pessoas possível e resolvi tomar uma cerveja num bar. Como era uma cidadezinha fuleira, o bar não oferecia muita coisa, cerveja bem fria (o que não é exatamente gelada), uns torresmos horripilantes (pelo menos para um paulistano como eu) e uns habitantes locais de dicção prejudicada (não sei se pela bebida ou pela falta de dentes importantes).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas - ah, correntinha da sorte - apareceu aquela pérola. Gostosa, exótica, simples e perfumada, talvez perfumada demais. Eu ainda me perguntava se ela era desdentada como os outros freqüentadores do bar quando ela me sorriu um sorriso completo. Sim, uma baianinha, da terra, daquelas que adoram um estrangeiro - como eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não preciso contar o nome dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando me dei conta já estava pagando cervejas para umas cinco pessoas entre bebuns e amigas daquela coisinha deliciosa. Era um exercício e tanto compreender o que ela falava, e mais difícil ainda era arrumar assunto, mas eu fiz meu melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você é mesmo celestial! - tentei ser poético, mas soou horrível. Isso que dá se separar da mulher e depois ficar meses isolado. Sorte que ela não entendeu o que é celestial. Parti para outra abordagem, um pouco menos sutil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você é muito bonita, bê-u cê-e tê-a, BO-NI-TA!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, você é tão romântico... parece até coisa da novela! - ela se derreteu e me confundiu com um artista da Record. Não demorou muito eu inventei uma desculpa para sair do bar e rebocar o prêmio da noite até o carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal chegamos perto do Bala-de-Prata, estacionado no pátio escuro de uma pousada mequetrefe - a única da cidade - e eu já fui agarrando a moça com mãos por todos os lados. Trepamos em cima do capô. Meses sem dar uma me fizeram sentir como um touro, um leão. A coisa foi selvagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E meio barulhenta. Acabou chamando a atenção de alguém que passava por perto. Que acabou avisando um primo da moça, que chamou o irmão da moça, que chamou seus dois irmãos. E o pai também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ainda sorria sem fôlego quando percebi estar cercado por quatro caras. Nenhum deles bêbado, nenhum deles sorrindo. Tentei explicar alguma coisa, mas no meio da primeira frase já tomei uma muqueta na cara. depois outra, depois outra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não preciso descrever o que aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dai seguinte acordei ao lado do valente Celta. Eu estava todo arrebentado, mas feliz por não terem destruído meu carro; e exultante por não ter sido castrado como nas histórias que os porteiros do prédio que eu morava quando era garoto contavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentia dores por todo o corpo. Entrei no carro e me olhei no espelho. vai ser chato explicar para meus amigos e colegas de trabalho como perdi tantos dentes. Agora não chamaria mais a atenção no bar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pior vai ser explicar como perdi o dedo anular, arrancado com um alicate quando prometi casar com a menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui ofuscado por um raio de sol que refletiu na correntinha da sorte. Merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liguei o carro e peguei a estrada, rumo à São Paulo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35144988-7484163499756013156?l=cafeinasp.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeinasp.blogspot.com/feeds/7484163499756013156/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35144988&amp;postID=7484163499756013156' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/7484163499756013156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/7484163499756013156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeinasp.blogspot.com/2007/09/ferias.html' title='Férias'/><author><name>Cafeína SP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06077395749110528869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35144988.post-355157848448640577</id><published>2007-08-28T21:34:00.000-03:00</published><updated>2007-09-14T21:58:48.544-03:00</updated><title type='text'>Trabalho</title><content type='html'>Era uma nova fase. Vida de solteiro. Os amigos comemoraram muito mais que eu. "Você vai ver, agora é liberdade, sem ninguém para dizer que isso ou aquilo não pode". Mas eu tinha vontade mesmo era de ficar em casa e ler livros, assisitr DVD`s. Ou ficar só deitado, olhando para o teto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um vazio imenso, a sensação de que havia uma caverna dentro de mim me acompanhava a cada instante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentei preencher esse vácuo com destilados e outras porcarias em noitadas com os velhos companheiros. Porém o resultado mais comum de tais aventuras etílicas era o vômito e uma duradoura ressaca. Mesmo que este paliativo fosse do meu agrado, meu sistema digestivo não teria me permitido continuar por muito tempo. Efeitos realmente adversos passaram a me assolar depois de poucas semanas de vida boêmia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar do sofrimento físico e sentimental eu não me dava por vencido. Evitava de todas as formas revelar meus pensamentos para amigos ou colegas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei sossego no trabalho. Acordar cedo, tomar banho, me barbear. Tomar café, dirigir o carro até o escritório e cumprimentar o porteiro eternamente sorridente. Tomar o elevador, ligar o computador e checar emails. Após esse ritual eu sentia uma couraça psicológica formada. Me sentia seguro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim pouco a pouco fui me isolando dos outros. Sempre atarefado, porém cordial com aqueles que dividiam o espaço de trabalho comigo. Até sorria quando tinha a infelicidade de encontrar outras pessoas durante o cafézinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei a freqüentar a academia. Agora uma desculpa muito boa para ver menos gente ainda. Havia me tornado um rato de laborartório. Branco, condicionado a sempre reagir diante dos mesmos estímulos, e habituado a correr numa esteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que fazia exercícios  já ha uns meses quando me dei conta que havia desenvolvido uma fobia por contatos prolongados com seres humanos fora do trabalho. Cuidava das plantas com esmero, mas desligava o celular assim que saia do escritório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebi que acabei havia aceitado uma porção de trabalhos free-lance além do meu emprego fixo para justificar os fins-de-semana em reclusão &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalhava todos os dias até tarde. Comia rapidamente na padaria antes de ir para casa, onde trabalhava mais um par de horas nos free-lances. Acordava muito cedo, ia para a academia, tomava banho e me barbeava por lá. Completava o ritual na empresa, tomando o terrível café da máquina do meu andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num desses dias a máquina estava quebrada. Não bebi café. Acho que adormeci com a cabeça apoiada nas mãos, cotovelos apiados na mesa. Minha chefa (na época era uma chefa) me acordou passando a mão delicadamente nos meus cabelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei assustadíssimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela me olhou bem nos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não acha que precisa parar? Só um pouco?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35144988-355157848448640577?l=cafeinasp.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeinasp.blogspot.com/feeds/355157848448640577/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35144988&amp;postID=355157848448640577' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/355157848448640577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/355157848448640577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeinasp.blogspot.com/2007/08/trabalho.html' title='Trabalho'/><author><name>Cafeína SP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06077395749110528869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35144988.post-8370697686129656051</id><published>2007-07-14T01:29:00.001-03:00</published><updated>2007-07-14T01:29:32.652-03:00</updated><title type='text'>Bar</title><content type='html'>Saí com uma amiga. Foi dia desses, nessa nova vida de solteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Combinamos de ir num bar bem bacana, ambiente aconchegante e tudo mais.&lt;br /&gt;Ela era amiga de muitos anos, mas à noite todos os gatos são pardos, então me preparei com a correntinha da sorte, a camisa mais cool e mais limpa que eu tinha e tomei meu rumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subi no Bala-de-Prata (meu valente Celta 1.0 prateado) e arranquei em direção à Vila Madalena. Uma sequência que havia começado tão bem com os seis primeiros sinais sempre verdes foi interrompida por alguns pedestres sem-noção que resolveram atravessar a rua fora da faixa, correndo bem na minha frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filhos-da-puta! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contive meus instintos mais sanguinários e freei com antecedência, no tempo certinho para assustar o último da turma. Parado antes da faixa de pedestres me senti um cidadão exemplar e cumpridor do dever cívico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Merecia uma recompensa - resolvi que naquele momento era socialmente aceitável futucar o nariz. Pois dito e feito, bem no instante em que eu desencavei aquele melecão grotesco, ouço uma buzinadinha leve e percebo alguém acenando para mim no carro ao lado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei tentando disfarçar e percebi que se tratava de uma gatinha. Baixei a janela enquanto ela perguntava onde ficava tal bar. Ela tinha um olhar engraçado. - Que bar é esse? - perguntei. O olhar engraçado era na verdade um riso mal reprimido, que terminou por explodir numa gargalhada estrondosa entrecortada por um "esquece", prenuncio da fuga precipitada da moça.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A correntinha da sorte já foi melhor - eu pensei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consegui estacionar bem perto, menos de uma quadra de distância. Melhor que isso, como era cedo não havia nenhum guardador de carro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei no bar e chaga um torpedo - vou atrasar mas chego logo. Cara de pau! essa menina me deixou esprando mais de meia hora. Pedi a cachacinha de lei e um torresmo pra arrematar - saúde!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estrategicamente depois do final da porção de torresmo minha amiga chegou, toda esbaforida, meio estressada e reclamando de um carinha mala-sem-alça que ela havia beijado - esses caras saem com a gente duas vezes e já acham que têm um relacionamento, credo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois a moça discorreu sobre uns casos anteriores que haviam acabado meio mal. incluindo nesse rol a história de um sujeito por quem ela não tinha muito tesão mas topou sair assim mesmo depois de receber um indecentíssimo convite para um menage com mais um amigo - me deu uma curiosidade louca, ela explicou - e chegou na hora H os dois caras tiveram ejaculação precoce. Traumático, anos de análise para ela se libertar de todos os preconceitos e medos e agora isso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contive o choque e disfarcei o espanto. Pedi mais uma cachaça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá para o final da conversa ela faz um revelação - Eu acabo tendo que aturar cada coisa, mas tudo o que eu preciso é tapar esse buraco... Toquei a correntinha da sorte com os dedos e pensei - É hoje, a correntinha não falha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedi mais dois drinques - a mocinha não era fraca. Depois de uns goles, senti o calor no ar e parti para o beijo num momento que ela me olhou fixamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ei! Que é isso! - ela falou numa voz bem fina e meio alta demais. Um monte de gente virou para olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engasguei. Gaguejei. Suei e avermelhei. Tentei justificar citando o bombástico "o que eu preciso é tapar esse buraco...". Ela riu gostoso, passou a mão no meu cabelo e explicou - O buraco é no meu coração, lindo! Acho que você se confundiu, nós somos muito amigos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma meia hora super constrangedora passou até que eu conseguisse pagar a conta. Caminhei até meu carro ruminando a cena patética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O flanelinha se aproximou - cinco conto e tá tudo em casa, chefão. Respondi que havia dado a grana para outro cara na ida. Porra, alemão, os caras te enganaram, só eu fico aqui nesse lugar - o figura retrucou, meio irritado - Aí, alemão, te fizeram de otário!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A agressividade do sujeito não me intimidou. Dei partida e guieilentamente até em casa. Os fatos recentes não saiam da minha cabeça, que parecia estramente pesada e oca. Só o eco das palacras a preenchia "aí, alemão, te fizeram de otário!"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35144988-8370697686129656051?l=cafeinasp.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeinasp.blogspot.com/feeds/8370697686129656051/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35144988&amp;postID=8370697686129656051' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/8370697686129656051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/8370697686129656051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeinasp.blogspot.com/2007/07/bar.html' title='Bar'/><author><name>Cafeína SP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06077395749110528869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35144988.post-2952017673041968135</id><published>2007-05-07T08:35:00.000-03:00</published><updated>2007-09-14T22:00:12.055-03:00</updated><title type='text'>Sem título</title><content type='html'>Separei todos os seus CD's de música e de computador, backups, essas coisas. Coloquei na caixa grande.&lt;br /&gt;Que bom, valeu.&lt;br /&gt;Seus lápis e seus pincéis estão na caixinha de madeira.&lt;br /&gt;Não, nessa eu guardei o incenso, estão naquela maior.&lt;br /&gt;Ah...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...Cadê minhas florzinhas de papel?&lt;br /&gt;Essas coisinhas mais frufrus eu cocloquei na lata de biscoito que você trouxe da viagem de Portugal.&lt;br /&gt;Brigado... ela disse numa voz que saiu meio apertada.&lt;br /&gt;Mas eu roubei esses dois CD's, e essa peninha preta que você prendia no chapéu, tudo bem?&lt;br /&gt;Tá, mas por quê a peninha preta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não respondi. Não lembro como me despedi. Não lembro quando dormi.&lt;br /&gt;Mas quando acordei no meio da noite e me peguei ruminando a cena da devolução das últimas coisas que a mulher que viveu comigo nos últimos quatro anos fiquei com vontade de voltar lá e dizer que nunca vou esquecer de quem me ensinou tanto do lado mais delicado da vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35144988-2952017673041968135?l=cafeinasp.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeinasp.blogspot.com/feeds/2952017673041968135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35144988&amp;postID=2952017673041968135' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/2952017673041968135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/2952017673041968135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeinasp.blogspot.com/2007/05/sem-titulo.html' title='Sem título'/><author><name>Cafeína SP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06077395749110528869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35144988.post-3120826244437736874</id><published>2007-02-10T11:14:00.000-02:00</published><updated>2007-02-09T10:56:19.418-02:00</updated><title type='text'>Uns desenhos (nem todos novos)</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.michelsohn.com/sequencia_0001.html" target="_blank"&gt;Clique aqui&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35144988-3120826244437736874?l=cafeinasp.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeinasp.blogspot.com/feeds/3120826244437736874/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35144988&amp;postID=3120826244437736874' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/3120826244437736874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/3120826244437736874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeinasp.blogspot.com/2007/02/uns-desenhos-nem-todos-novos.html' title='Uns desenhos (nem todos novos)'/><author><name>Cafeína SP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06077395749110528869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35144988.post-7075454481882263698</id><published>2007-02-09T10:18:00.000-02:00</published><updated>2007-02-09T10:19:23.614-02:00</updated><title type='text'>Tragédia em três tempos</title><content type='html'>O último freela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu último freela eu penei. Não havia onde estacionar o carro. Na hora do almoço eu tinha que caminhar quatro quadras antes de chegar em um restaurante que não cobrasse mais de 20 reais por prato. Fora o horário; fixo pra entrar e muito flexível pra sair. Isso mesmo. Entrava cedo e nunca sabia a hora de ir embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para fechar com chave de merda. fui demitido por telefone. Eu tinha que esperar um diretor de arte aprovar o meu trabalho. O cara deu uma "saidinha" as cinco da tarde. As sete eu tinha tudo pronto. As dez o cara não atendia o celular. Fui embora e deixei um bilhete na mesa dele que dizia "se precisar refazer alguma parte me ligue no celular xxxx-xxxx que eu volto pra agência". As onze o telefone tocou e eu fui demitido por não estar esperando a figura...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro emprego (fixo em muitos anos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me chamaram para uma entrevista. Me ofereceram um salário decente, vaga coberta no estacionamento, férias, horários fixos e humanos. A equipe era composta por gente bacana. A chefe era gentil. O trabalho tinha muita visibilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teria eu coragem de abandonar minha vida masoquista no submundo do trabalho informal? Trocar minha total liberdade de dias e horários (em termos) por conforto material?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro remorso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aceitei. E tive que abandonar alguém muito importante. Sim, minha máquina de café, que agora só me vê pela manhã, bem cedinho. Eu demonstro meu carinho quando a limpo todos os dias com uma flanela úmida. Mas ela está magoada, eu sinto isso no café, cada dia mais amargo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35144988-7075454481882263698?l=cafeinasp.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeinasp.blogspot.com/feeds/7075454481882263698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35144988&amp;postID=7075454481882263698' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/7075454481882263698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/7075454481882263698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeinasp.blogspot.com/2007/02/tragdia-em-trs-tempos.html' title='Tragédia em três tempos'/><author><name>Cafeína SP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06077395749110528869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35144988.post-2572729603438842820</id><published>2007-01-13T16:09:00.000-02:00</published><updated>2007-01-13T16:10:17.139-02:00</updated><title type='text'>Primeira Semana</title><content type='html'>Todo mundo sabe. Eu tenho uma máquina de café espresso. À seguir acompanhe o que aconteceu na primeira semana de adaptação à esta nova tecnologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quarta-feira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21hs – Cheguei em casa com a Máquina. Desembalo cuidadosamente e leio o manual de instruções com atenção.&lt;br /&gt;21:30 – Tiro o primeiro espresso. Preto, amargo, queimado. Duplo, porque ainda não havia comprado as xicrinhas apropriadas e uso uma xícara de chá.&lt;br /&gt;22:45 – Finalmente domino a técnica. Depois de haver tomado 5 espressos duplos.&lt;br /&gt;23hs – Escovo os dentes, que estão rangendo, e vou para a cama.&lt;br /&gt;23:05 – Desisto de dormir e vou para o estúdio desenhar, ouvir música, escrever, ler um livro. Tudo ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;5:15 – Consigo ir dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quinta-feira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9hs – Pulo da cama sentindo as pálpebras quentes.&lt;br /&gt;9:05 – Ligo a Máquina e tiro um espresso (na xícara de chá). Leio notícias e emails. Entrou um daqueles frilas suicidas.&lt;br /&gt;9:15 – Tomo outro espresso e começo o frila.&lt;br /&gt;16hs – Pausa pro almoço, um espressinho duplo prá arrematar.&lt;br /&gt;18:30 – Pausa pro café.&lt;br /&gt;21:30 – Pausa pro lanche. Pão com figo e mortadela. Café espresso.&lt;br /&gt;2:15 – Pausa pro café. Estou me sentindo animado para terminar o frila.&lt;br /&gt;5:45 – Pausa pro café.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sexta-feira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7:30 – Ligo a Máquina. Os termos dia, noite, hoje e ontem parecem mais difíceis de abstrair na conversa de café da manhã com minha mulher. O açucar acabou. Dois cafés.&lt;br /&gt;10:45 – Comemoro o tempo recorde para completar o trabalho com um café baiano (um espresso batizado com uma dose de cachaça). Chamo um portador para levar o CD embora.&lt;br /&gt;14:15 – Como meu almoço meio a contragosto. Mais um espresso na xícara de chá.&lt;br /&gt;22:45 – Na happy hour encontro amigos de profissão e entre eles um mineiro que se auto-proclama um viciado em café. Comemoramos a nova amizade tomando um par de espressos cada um.&lt;br /&gt;1:50 – O cara também conhece o café baiano, mas chama de outro nome, que eu não lembro.&lt;br /&gt;3:25 – Nosso pedido de mais dois café baianos e negado pelo garçom. Vamos embora. Ao chegar em casa fica mais fácil dormir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sábado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8:15 – Um fiozinho de luz entra pela fresta da janela. Pulo da cama.&lt;br /&gt;8:18 – Ligo a Máquina e tiro um espresso. Estou aperfeiçoando minha técnica, estou super rápido para fazer espressos agora.&lt;br /&gt;8:25 – Acendo um baseado, parei de fumar cigarros.&lt;br /&gt;9:35 – Já deixei recados e mandei emails para quase todos os meus amigos.&lt;br /&gt;13:25 – Tomo um café e saio de casa.&lt;br /&gt;Passo a tarde num périplo entre bares e cafés baianos. Sou xingado diversas vezes por ter acordado um monte de gente e ter interrompido umas tantas trepadas matinais.&lt;br /&gt;20:45 – Tiro um cochilo no sofá da casa de um amigo. Sinto a pressão baixa.&lt;br /&gt;23:30 – Desperto. Tomo um café de coador. Sinto fome.&lt;br /&gt;23:50 – Pego os últimos pedaços de pizza da Real, perto da MTV. Mais dois cafés.&lt;br /&gt;12:30 – Em casa, sem vontade de ver ninguém, num arroubo de mau humor, preparo e tomo em seguida três espressos. Meu estômago reclama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domingo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8:30 – Termino de escrever uma obra prima! Comemoro com um café. A Máquina já (ainda?) estava ligada.&lt;br /&gt;8:45 – Tendo aprendido a lição do dia anterior penso bem antes de usar o telefone.&lt;br /&gt;9:15 – Me encontro com as únicas pessoas que conheço que estão de pé essa hora para tomar café comigo; meus pais.&lt;br /&gt;10:35 – Me despeço. Meus pais têm um olhar de preocupação.&lt;br /&gt;15:45 – Termino o almoço no Genésio. Sinto muito sono apesar dos cafés.&lt;br /&gt;17:30 – Levanto do sofá. Estou na minha sala, mas não me lembro muito bem de ter feito o caminho do bar até a casa.&lt;br /&gt;19hs – Aparecem alguns amigos, que eu havia convidado nem me lembro quando para conhecer a Máquina de espressos. Demosntro todas as técnicas dominadas no curto porém intenso tempo de uso.&lt;br /&gt;12:45 – Vou dormir, estou exausto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda-feira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7:30 – Acordo, me sinto um bagaço.&lt;br /&gt;7:45 – Ligo a Máquina e tomo um café espresso. Meu estômago dói.&lt;br /&gt;8:45 – Chega o email do meu cliente com correções e emendas para o frila.&lt;br /&gt;14hs – Almoço e tomo um café. Agora, além da dor de estômago, sinto um mal estar estranho, um pouco de enjôo e dor de cabeça.&lt;br /&gt;16hs – Estou suando frio, mas um telefonema do cliente aprovando o trabalho me anima. Penso em um espresso.&lt;br /&gt;18:30 – Fumo um baseado e vou dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terça-feira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6:15 – Acordo e faço um chá.&lt;br /&gt;Passo o dia todo trabalhando e evito olhar para a Máquina, que passa o dia descansando.&lt;br /&gt;19:50 – Compro numa loja de presentes um jogo de xicrinhas de espresso.&lt;br /&gt;21:40 – Termino o jantar e não tomo café.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quarta-feira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8:00 – Meu estômago parou de doer. Faço uma promessa de não tomar mais de três espressos por dia.&lt;br /&gt;14:45 – Quebro minha promessa depois do almoço, mas desligo a Máquina.&lt;br /&gt;18:45 – Toca o telefone. Um frila, daqueles bem vampíricos, de virar noite e sugar o sangue. Ligo a Máquina.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35144988-2572729603438842820?l=cafeinasp.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeinasp.blogspot.com/feeds/2572729603438842820/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35144988&amp;postID=2572729603438842820' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/2572729603438842820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/2572729603438842820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeinasp.blogspot.com/2007/01/primeira-semana.html' title='Primeira Semana'/><author><name>Cafeína SP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06077395749110528869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35144988.post-2678259672496327041</id><published>2007-01-13T16:08:00.000-02:00</published><updated>2007-01-13T16:09:03.126-02:00</updated><title type='text'>É uma idéia para uma cena.</title><content type='html'>Foi uma noite dessas por volta das oito. Cheguei em casa e beijei minha mulher. Enquanto preparávamos o jantar conversamos sobre o dia que havia passado. Eu era responsável pela salada, e ela pela sopa (sim, sopa, no verão!). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hoje eu tive uma idéia!&lt;br /&gt;- Mesmo? Que idéia?&lt;br /&gt;- É uma idéia para uma cena.&lt;br /&gt;- Ai, Ai. Você e suas idéias...&lt;br /&gt;- É assim; nós dois estamos no sofá, vendo T.V., e eu digo pra você que tenho uma idéia para uma cena.&lt;br /&gt;- Hum, e aí? &lt;br /&gt;- Daí eu falo que você está na cena.&lt;br /&gt;- Por quê você sempre põe meu nome na história? Porque você não usa um amigo?! &lt;br /&gt;- Eu escrevi que você disse exatamente essa frase! “Porque você não conversa com um amigo?!“ E dai eu respondo “E por quê não conversar com meu cachorrinho?”. E daí você fica furiosa e diz  “Quê?! Você me chamou de cadela?“.&lt;br /&gt;- Quê?!!! – ela exclama - Você me chamou de cadela?!!!&lt;br /&gt;- É! Olha só que perfeito! Aconteceu igualzinho agora!&lt;br /&gt;- Você me expõe demais assim!&lt;br /&gt;- Mas é tudo ficção, e eu nunca escrevi o seu nome.&lt;br /&gt;- E por quê não conversa com um amigo sobre uma cena na qual eu apareço?&lt;br /&gt;- E porquê não conversar com meu amigo sobre meu cachorro?&lt;br /&gt;- Conversar com seu cachorro sobre mim pode! Ia ser super fofo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ante esse argumento, eu não tive resposta. Com um beijo encerramos a discussão e passamos a outro assunto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35144988-2678259672496327041?l=cafeinasp.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeinasp.blogspot.com/feeds/2678259672496327041/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35144988&amp;postID=2678259672496327041' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/2678259672496327041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/2678259672496327041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeinasp.blogspot.com/2007/01/uma-idia-para-uma-cena.html' title='É uma idéia para uma cena.'/><author><name>Cafeína SP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06077395749110528869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35144988.post-6878092200919266522</id><published>2006-12-25T22:16:00.001-02:00</published><updated>2007-01-03T00:43:47.992-02:00</updated><title type='text'>Um milagre de Natal</title><content type='html'>Era noite de 23 de dezembro há muitos anos atrás. Na época, a minha mulher ainda era minha namorada. Fui buscá-la na Vila Romana e assim que ela entrou no carro descobri onde iríamos - o Rancho Nordestino, no Bexiga. Teríamos que parar num caixa eletrônico porque nesse bar somente aceitavam dinheiro - eram os primórdios do visa eléctron e eu estavam sem meu talão de cheques.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A agência da Clélia é a melhor!" - exclamei para a moça bonita sentada ao meu lado. Engatei a primeira, olhei para todos os lados e arranquei. "Ei! Cuidado!" - Ela me pareceu com um pouco de medo, então resolvi explicar. Havia rapidamente calculado os riscos de ser vítima de um seqüestro-relâmpago e decidi parar na agência do Banco do Brasil na rua Clélia.&lt;br /&gt; "Eu sei que lá é meio escuro, mas as outras opções são a Afonso Bovero ou a Heitor Penteado" - muito mais visadas por marginais em geral. - "Sem contar que a faixa de ônibus diminui a probabilidade de abordagem por motoqueiros e..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Calma, cara!" - interrompeu minha namorada - "Fica calmo, ninguém vai te seqüestrar hoje."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem mais acontecimentos inesperados ou surtos de paranóia, chegamos ao bar. Era um bar de esquina, na Manuel Dutra com a XXX, todo aberto, colunas cobertas de pastilhas azul-claro. Vários amigos, muitos brindes, intermináveis risadas. Até que alguém me pergunta - "Ei, você não é judeu?" - ao que se segue a invitável - "E como é o natal de vocês?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre cachaças e torresmos me pus a explicar os pormenores do ritual que chamávamos de Ceia da Larica - "Isso era quando eu tinha uns 14 anos" - comecei - "A gente abria sessão com um beque natalino nevado e um shot de qualquer bebida que tivesse no bar da casa do pai do Roni". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resto se desenrolava entre baseados, rodadas de baconzitos e licores de ingredientes estranhíssimos, quem sabe eram regalos de natais imemoriáveis que o pai de nosso anfitrião nunca teve coragem de provar. "Finalmente, quando a larica era insuportável, comíamos um rango absolutamente nojento de miojo enquanto blasfemávamos agoniados"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Que merda! parece até aquele Festivus" - exclamou um dos convivas, que provavelmente só escutou o finzinho da minha explicação. "Festivus? Que porra é essa???" - disse, sem entender. "Aquela festa que o pai do Geroge Costanza inventou para celebrar em lugar do natal" - meu companheiro de mesa explicou - "Ah, do Seinfeld..." - respondi, para demonstrar que também tinha um pouco de referência cultural. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Isso! É aquela festa que em vez da árvore de natal eles montam um mastro de alumínio sem enfeites" - o sujeito se empolgou - "Nunca vi esse" - disse, disfarçando o saco cheio - "É! E depois ficam todos falando das coisas ruins que fizeram uns pros outros. Rá, rá, rá!" - o cara se divertia sozinho. "Comédia, mas não tem nada a ver com a Ceia da Larica" - cortei, certo de que depois dessa o adversário capitularia. Eu fui surpreendido. "Mas é tão mesquinho e escroto quanto!" - foi o golpe final do meu oponente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Rá rá rá!" - explodiu a mesa em gargalhadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como era natal resolvi não responder a altura. Nem virar a mesa e quebrar uma garrafa na cabeça de alguém. Isso provavelmente não causaria boa impressão na minha futura esposa. Para quebrar a tensão uma boa alma propôs um brinde. "Com discurso!" - uma menina pediu. "E quem vai discursar?" - surgiu a pergunta - "Ele, que é judeu!" - veia a resposta, que soou surpreendentemente óbvia para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu não!" - tentei me esquivar - "Discurso! Discurso! Discurso!" - respondeu o coro. Estava encurralado. Não tinha por onde escapar. Aquele momento pareceu durar muito. Tive tempo de pensar na minha relação com Jesus Cristo. Pensei nos milênios de perseguições. Pensei na Inquisição, nos Pogroms. Pensei na Segunda Guerra Mundial e nos seis milhões de judeus assassinados, entre eles o pai, a mãe e quase todos os oito irmãos e irmãs do meu avô. Não era o estado de espírito ideal para um discurso de natal. Subi numa cadeira. Abri a boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, o milagre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É curioso. Milagres na vida real não vêm com som de clarinetas nem luzes ou chuva de pétalas. Esse, pelo menos, veio acompanhado pelo som de uma batida de carro. CRASH!!! - sem freada, sem grito, nem nada, só a porrada num volume altíssimo. Em seguida uma chuva de pedacinhos de vidro e plástico entrou no bar e se espalhou por todo o chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava de costas para a rua, mas de pé na cadeira, preparado para o discurso. Não vi o que aconteceu, mas mesmo assim demorei uns 10 segundo em choque. Em silêncio, assim como o resto das pessoas do bar. Me virei, e a primeira coisa que vi foi um disco que parecia a calota. Estava uns sete ou oito metros distante do lugar onde uma vez ficou a roda dianteira esquerda - essa sim, totalmente fora de vista. O tal disco, numa segunda olhada, era na verdade a ventoinha do motor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei para o carro com medo e vi um destroço azul quase na contramão, enfiado em um poste, com metade da frente estranhamente amassada. Através dos vidros estilhaçados grudados na película do insul-film eu só distinguia formas vagas e brancas. Eram os airbags. De dentro do veículo - um Peugeot, como descobri depois numa grade do motor embaixo da minha cadeira - saíram dois homens cambaleantes, em estado de choque e cheirando à álcool.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O clima festivo da noite já era, é verdade. Mas isso me parecia positivo. Triplamente positivo.Se não fosse o poste eu e muitos outros no bar estaríamos mortos. Se não fossem os airbags o motorista e o passageiro do carro estariam mortos. Se não fosse o acidente eu teria feito o meu discurso e estragado a noite, sem falar na possibilidade de arriscar o incipiente namoro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O natal é mesmo uma época mágica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35144988-6878092200919266522?l=cafeinasp.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeinasp.blogspot.com/feeds/6878092200919266522/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35144988&amp;postID=6878092200919266522' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/6878092200919266522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/6878092200919266522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeinasp.blogspot.com/2006/12/cafena-de-natal.html' title='Um milagre de Natal'/><author><name>Cafeína SP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06077395749110528869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35144988.post-3498074156474178221</id><published>2006-12-14T02:29:00.000-02:00</published><updated>2006-12-14T11:43:36.944-02:00</updated><title type='text'>Fuga</title><content type='html'>Era um daqueles dias comuns. Fiz meu café por volta das 9:30, sonhando com uma máquina que fizesse meu café espresso igualzinho ao da padaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fumei uns cigarros enquanto lia os emails e notícias. O toque do celular perturbou minha manhã de tédio. Um freela. O prazo era absolutamente suicida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era suicida simplesmente no sentido de ser impossível. Era muito pior. Era suicida no sentido que, por exemplo, os judeus suicidas não têm direito a ser enterrados no mesmo solo em que os outros judeus são enterrados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era suicida no sentido que a minha carcaça amaldiçoada teria como destino apodrecer num lixão infecto, um antro de doenças onde urubus e ratazanas competiriam por um naco ressecado do meu traseiro morto e imundo. Um lugar que vocês não querem conhecer. Nem eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu topei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Topei porque pagava bem e eu poderia comprar a minha máquina de café expresso, e com o troco, trocar meu telefone celular. Poderia comprar um gravador digital e uma mesa de luz. Poderia várias coisas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A equipe que trabalharia comigo era experiente. Um sujeito um pouco mais velho que eu, gente fina, apesar da cara de que havia passado os últimos anos em masmorras; e uma mulher, mais ou menos da mesma idade, que tinha uma fílha pequena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho começou na terça feira de tarde e deveria ser entregue sexta, cinco e meia da tarde, na Avenida Paulista, sem falta. Tinhamos que entregar o serviço completo em tempo ou o cliente, que era um mala sem alça, provavelmente cancelaria o trabalho. Isso se ele estivesse de bom humor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O início foi amigável, piadas, histórias. O trabalho fluía. Estávamos otimistas. Durante a noite dormimos em turnos de quatro horas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quarta pela manhã fomos tomar o café. Tomei dois. Já voltei ansioso pro estúdio. Não almocei, e nem eles. Paramos para o lanche por volta das cinco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As oito da noite meu colega saiu para comprar cigarros na padaria. Eu e a moça conversamos um pouco, ainda bem humorados, mesmo em vista das próximas noites. O rapaz volta duas horas depois - nas quais eu dormi - todo animado, coçando o nariz e avisando que agora estava certo de que todo mundo teria incentivo para aguentar até o final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele apresenta seu conceito de motivação, a cenoura. Pois é, é deprimente mesmo. O cara vem com cocaína pro escritório, diz que você pode cheirar uma carreira a cada tanto tempo de trabalho, chama a coisa de cenoura pros burros de carga e acha que está te incentivando!.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puta merda! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é preciso ser nenhum gênio pra prever que a coisa iria ficar feia. Cheiramos e tomamos café e Red Bull até o dia raiar. Trabalhei como um zumbi frenético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas primeiras horas da manhã de quinta feira, tendo á frente ainda 24 horas de trabalho com probabilidade zero de poder descansar, contando com apenas 6 horas de sono nos dois últimos dias, eu fui proativo. Sugeri tentarmos negociar mais uns dias de prazo. Me voluntariei para a tarefa ingrata, inclusive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho certeza que todos vocês já viram em algum documentário da Discovery ou do Animal Planet. A mãe que protege a cria é capaz de feitos incríveis. De fato. A minha companheira de trabalho mostrou os dentes - Olha aqui, seu moleque. Eu preciso dessa grana prá bancar todas as coisas da minha filha. Se você inventar de ir negociar com eles, a gente vai perder essa grana, entendeu? E isso não vai acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um choque. Se o outro cara tivesse sido agressivo, eu saberia como reagir. Mas eu não esperava o ataque de uma mãe em estado de fúria instintiva. Calei a boca e seguimos trabalhamos, tomando café e cheirando (uns muito mais, e uns muito menos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha virado um lixo. Nem conseguia comer direito. A moça havia comprado umas mangas uns dias antes. Eu dava umas mordidas e jogava fora. De tempos em tempos o outro cara vinha e oferecia cenoura. Eu contribuía para a harmonizar o ambiente com litros de café e maços de cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia passou. Eu tive taquicardia por causa do café, pressão baixa por causa do cigarro, enjôo por causa de uma coxinha. Tinha esses mal estares e rezava para meus colegas terem pena de mim e sugerirem uma pausa para dormir. Mas nada. Silêncio. E eu suando, asfixiado de ansiedade, claustrofóbico naquela salinha enevoada de cigarro, sebosa, fedendo à gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentei mais uma vez convencê-los de  que valia a pena adiar o prazo de entrega por um dia apenas, para podermos dormir algumas horas. Afinal já eram quase três dias sem rpegar os olhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha iniciativa foi veementemente rechaçada. Desta vez o calaboca veio sob a forma de um "você foi contratado pra ser criativo e terminar esse trabalho. Só sai daqui quando terminar, então é melhor ser criativo, porra!" proferido pelo cara com certa dose de violência, corroborada por uma indiferença gelada da mulher, que somente arrematou - agora a gente vai até o final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engoli estas palavras, voltei para o meu computador e fiquei pensando nos casos em que se pode ou não fugir à responsabilidade. Me lembrei de um acontecimento muito peculiar, que se passou já há alguns anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava com um amigo no metrô. Ele era medico recém formado, vivia pulando de um plantão para outro. Eu sabia que naquele dia ele sairia do plantão por volta das 3 da tarde e combinamos de nos encontrar. O motivo eu nem lembro direito - ele tinha posto as mãos num remédio alucinógeno ou coisa do tipo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele estava um caco. Um lixo mesmo. Se eu estivesse doente preferiria ver um pajé a ser atendido por um medico naquelas condições. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entramos no vagão e nos sentamos mais ao fundo. Entre as estações Ana Rosa e Paraíso um sujeito teve um troço. Primeiro ele caiu duro,  As pessoas se afastaram. Olhei para o meu amigo, que estava segurando a borda do banco com firmeza, catatônico, olhar fixo na janela em frente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem, de idade indefinível neste momento de agonia, começou a babar pela boca e pelo nariz. Pssst!, Ei! – chamei meu amigo, mas ele não respondia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o caso de um ataque epilético, agora até mesmo eu já reconhecia. O pobre diabo se contorcia. As mãos crispadas, olhos virados, se debatendo e esfregando a testa e a roupa clara no chão imundo do metrô&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cruz credo!!! O homem tá possuído! – gritou uma mulher no meio do vagão. Finalmente, um cara de branco levanta e vem ajudar. Era um dentista. Usou uma caneta para desenrolar a lingua do coitado, o segurou e acalmou aos poucos. Quando o vagão parou, alguns funcionários do metrô já esperavam com uma maca. O dentista e o epilético desceram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando as portas se fecharam e o vagão entrou em movimento meu amigo relaxou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de descermos escutei a explicação. Como medico ele tinha a obrigação moral de atender qualquer paciente em estado de emergência. Não era como é para advogados ou engenheiros ou publitários – para quem, se não há dinheiro ou ganho imediato envolvido, não há negócio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas já eram 48 hroas sem dormir, em estado de alerta e tensão, com pessoas acidentadas, sangue, fraturas, infartos. A vida de estranhos nas mãos. Isso cansa demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém sua Obrigação Moral era atender o homem. Ele havia fugido de sua Responsabilidade e se sentia culpado por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ele conseguira o que eu tanto queria agora. Fugir da minha responsabilidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foda-se!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foda-se foda-se foda-se! Pau no cú de todo mundo e que vão todos à merda. Que a cafeteria de merda e o celular idiota e todas essas porras queimem no inferno! Que esse cara fique devendo pro traficante dele e morra baleado! Que a filha dessa bruxa que trabalha comigo morra de desnutrição e ignorância!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento meu colega de sofrimento me ofereçeu mais um par de carreirinhas – Vamos lá, cenoura pros burros de carga - disse sem qualquer expressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorri e aceitei. Tive a grande idéia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simularia um ataque epilético. Eles achariam que eu estava numa crise de overdose. Eu seria levado para o hospital, mas eles não ficariam lá para ver o fim da história. Era melhor evitar envolvimento e tinham que terminar o freela de um jeito ou de outro. Ainda mais agora, com os prováveis custos advocatícios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me joguei no chão, eu acho. Mas as batidas que eu dava com a cabeça nos pés da cadeira doíam demais, minha lingua me sufocava, já não escutava, tudo estava ficando escuro…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive mesmo um ataque, que durou muito tempo. &lt;br /&gt;Tanto que agora só sei que estou no escuro e no silêncio. &lt;br /&gt;Não acho que isso seja a morte. &lt;br /&gt;Desconfio que estou em coma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35144988-3498074156474178221?l=cafeinasp.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeinasp.blogspot.com/feeds/3498074156474178221/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35144988&amp;postID=3498074156474178221' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/3498074156474178221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/3498074156474178221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeinasp.blogspot.com/2006/12/fuga.html' title='Fuga'/><author><name>Cafeína SP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06077395749110528869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35144988.post-8742692677556830571</id><published>2006-11-24T01:21:00.000-02:00</published><updated>2006-11-24T01:28:55.739-02:00</updated><title type='text'>Olhos ardentes</title><content type='html'>Hoje bebi três xícaras de café. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebi até minha gengiva ficar sensível e meus dentes começarem a bater. &lt;br /&gt;Foram três xícaras, acompanhadas por três cigarros num rital meticuloso. Com o primeiro gole, o primeiro trago. A última baforada quando a xícara está vazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantei da mesa com taquicardia. A ansiedade me levava pelas mãos numa mania auto-induzida, assim como provavelmente será a minha gastrite e posterior úlcera estomacal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas pálpebras começaram a arder hoje, lá pela hora do almoço. A sensação é a mesma que se tem quando toma-se sol por muito tempo. E o ardor piorava muito quando eu fechava os olhos. Fiquei sem piscar o dia todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora já se foi uma semana sem dormir. É mais de meia noite. Nos últimos dias tenho vivido numa zona nebulosa. Entre a vigília e o sonho. Parei de ir ao escritório pois não posso trabalhar assim. O que eu falo não faz mais sentido. Meus pensamentos não se concluem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando me deito não posso relaxar. Sinto como se flutuasse a poucos milímetros da cama. É tanta tensão que parece eletricidade estática. Mas está dentro da minha pele. Solta faíscas no lençol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol já desponta lá no fundo. Nos dias passados essa visão me causou desconforto. Mas agora estou acostumado. Posso dizer com toda a certeza que prefiro a luz da lua. Minhas pálpebras ardem menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caí no sono. Acordei após um dia inteiro fora do ar. Mas não sonhei. Vi o futuro. Vi a sociedade em convulsão. Vi os povos em guerra. Senti o calor infernal. Mas, acima de tudo, o que mais me deixou inquieto foi entender o meu futuro miserável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao acordar vi minha mulher. Tinha dentro de mim uma tristeza enorme. Tão grande que tirava de mim todas as forças e vontades. Até mesmo a vontade de chorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Você está bem?" - ela perguntou. "Puxa... eu acho que não vai dar" - respondi. "O que não vai dar?" - ela disse com a voz mais doce do mundo, enquanto alisava meus cabelos. Respondi com uma certeza seca, embrulhada numa dúvida, cuja função exclusiva era proteger a única pessoa que eu reconheci em minhas visões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu vi tudo, e acho que não vai dar".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35144988-8742692677556830571?l=cafeinasp.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeinasp.blogspot.com/feeds/8742692677556830571/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35144988&amp;postID=8742692677556830571' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/8742692677556830571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/8742692677556830571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeinasp.blogspot.com/2006/11/olhos-ardentes.html' title='Olhos ardentes'/><author><name>Cafeína SP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06077395749110528869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35144988.post-7914730266270507283</id><published>2006-11-22T08:04:00.000-02:00</published><updated>2006-11-22T08:10:43.872-02:00</updated><title type='text'>Almoço</title><content type='html'>Hoje eu comecei um freela num estúdio novo. Não conhecia ninguém por lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante toda a manhã trabalhei numa embalagem de nuggets de frango enquanto escutava música no meu iPod. Não conversei com ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hora do almoço me convidaram para ir num restaurante por kilo. Na intenção de me enturmar, aceitei o convite. Me surpreendi quando me sentei e olhei para o meu prato. Nuggets! A conversa não engatou de imadiato. Alguns silêncios pontuavam a refeição. Como as primeiros assuntos não me interessavam muito, comecei a divagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que assuntos seriam interessantes nessa hora? Eu gosto de falar sobre café e ansiedade. Também gosto de pensar sobre ética comparada. Existem vários assuntos que são melhores pensados do que falados. Entrei em longos debates comigo mesmo, mas tomei o cuidado de não mexer a boca. Queria terminar a primeira refeição sem passar pelo constrangimento de ser tachado de maluco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei ao planeta terra quando capturei uma frase sobre um vídeo no Youtube. Eu já havia terminado meu prato, e todos ainda comiam. Provavelmente me consideravam afobado e estranho, mas acho que escapei da pecha de louco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na volta ao estúdio, paramos um minuto para um café. Sem hesitar saquei meu maço de cigarros. Estava sem isqueiro. No curtíssimo tempo que eu levei para encontrar algum fumante que pudesse acender meu cigarro, meus colegas já se haviam ido. Terminei de fumar sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao entrar no edifício notei que havia esquecido o crachá na sala. Fui barrado na portaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem saber o que fazer, calculei o valor de todos os objetos que havia deixado sobre a mesa. Um crachá do prédio, um isqueiro e uma revista semanal. Pus de um lado da  balança o isqueiro e a revista, e do outro o crachá, simbolizando a embalagem de nuggets e o magro ordenado que viria dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui embora, para nunca mais voltar. Agora sim, todos devem me considerar louco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35144988-7914730266270507283?l=cafeinasp.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeinasp.blogspot.com/feeds/7914730266270507283/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35144988&amp;postID=7914730266270507283' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/7914730266270507283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/7914730266270507283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeinasp.blogspot.com/2006/11/almoo.html' title='Almoço'/><author><name>Cafeína SP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06077395749110528869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35144988.post-6671856074185154143</id><published>2006-11-19T12:15:00.000-02:00</published><updated>2006-11-19T12:17:05.444-02:00</updated><title type='text'>Esclarecendo...</title><content type='html'>Depois de algumas me perguntarem se eu fiquei louco ao re-publicar (expressão destituída de sentido político) Cachorro Morto, esclareço: reescrevi o final.&lt;br /&gt;Vocês podem notar que se trata da parte 3b. O fim original ainda está disponível.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35144988-6671856074185154143?l=cafeinasp.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeinasp.blogspot.com/feeds/6671856074185154143/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35144988&amp;postID=6671856074185154143' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/6671856074185154143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/6671856074185154143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeinasp.blogspot.com/2006/11/esclarecendo.html' title='Esclarecendo...'/><author><name>Cafeína SP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06077395749110528869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35144988.post-4556890121868359262</id><published>2006-11-18T03:32:00.000-02:00</published><updated>2006-11-18T03:33:27.422-02:00</updated><title type='text'>Cachorro Morto -  Parte 1</title><content type='html'>Acordei no meio de um pesadelo. Me atracava com um inimigo mortal. Eu pulava no pescoço dele. Minhas unhas como cacos de vidro na garganta. Dei um pulo na cama, em direção à jugular da minha mulher, que despertou assustada com meu sonambulismo assassino. Tomamos café da manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui com ela até uma emissora de TV, num distrito industrial, muito distante. Nos perdemos. Conheci o Rodoanel. Peguei trânsito no final da Anhangüera. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvi emendar os compromissos e tive de emendar viagens. Grandes distâncias. Extremos da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percorri toda a Marginal Pinheiros sem pôr o pé no freio. Sol e asfalto, calor e cimento. Driblando caminhões tomei o caminho da esquerda, Guido Caloi. Direita na M'boi Mirim, em direção ao Jardim Ângela. Apesar de ser sexta-feira, quase duas da tarde, poucos carros apareceram para dificultar o meu caminho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, já eram quase três horas guiando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No corredor de ônibus um biarticulado parou no ponto. Um cachorrinho saiu correndo logo à frente, numa tentativa fatal de atravassar a rua. Meti o pé no freio e joguei o carro para a direita. O pequeno animal fez suas últimas - e infelizes - escolhas. Correu de um lado para o outro. O barulho dos pneus gastando na rua. Brevemente interrompido duas vezes por um som surdo. Scriiiiii toc toc scriiiiii.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma sensação péssima. Pressão no estômago. Olhei pelo retrovisor, e reconheci o vulto escuro de um cachorro dançando mais de um palmo acima do chão em violentas convulsões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parei o carro em algum lugar - uns 20 metros depois - já tentando mentalizar que era apenas um cachorro, num acidente, não era culpa minha, e se fosse, não seria muita coisa, afinal. era só um cachorrinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desci do carro acendendo um cigarro. Calafrios faziam minhas mãos tremer. Ânsia de vômito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei e vi duas crianças - um menino e uma menina - e uma moça de uns vinte anos em volta do animalzinho agonizante. O menino, que provavelmente havia arrastado o bicho do meio da avenida até a calçada, pôs a mão no peito do coitado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O corpinho aparentemente intacto, os pêlos ainda tentando me convencer que eram bonitos e saudáveis. Percebi as tetinhas - era uma cadelinha. Também notei os sangue escorrendo do ouvido. E os olhinhos para fora das órbitas. Entendi que havia acertado a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O coração parou de bater" - disse o menino. Fiquei em silêncio. Muito silêncio. Não ouvi ninguém chorar. Não ouvi o barulhos dos carros, ônibus e caminhões na avenida. Não ouvi nem meus pensamentos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35144988-4556890121868359262?l=cafeinasp.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeinasp.blogspot.com/feeds/4556890121868359262/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35144988&amp;postID=4556890121868359262' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/4556890121868359262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/4556890121868359262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeinasp.blogspot.com/2006/11/cachorro-morto-parte-1.html' title='Cachorro Morto -  Parte 1'/><author><name>Cafeína SP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06077395749110528869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35144988.post-1961348807050660494</id><published>2006-11-18T03:31:00.000-02:00</published><updated>2006-11-18T03:32:44.394-02:00</updated><title type='text'>Cachorro Morto -  Parte 2</title><content type='html'>Hoje meu coração é de pedra, atropelei um cachorro na avenida.&lt;br /&gt;Mas isso não me faz sentir menos vulnerável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora já é noite. Estou no trânsito, acelerando, freando, acelerando, freando, faz quase duas horas. Na Marginal Pinheiros, mais uma vez. É tão devagar que já é hora de atender aos compromissos sociais. Festa de aniversário, happy hour, lançamento de livro, vernissage em galeria - faz diferença?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei preso numa conversa desinteressante, que uma mulher me contou sobre uma viagem que eu não queria saber. Ela contava os detalhes e me cutucava no braço ou no ombro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu odeio que me toquem. Afora os cumprimentos habituais nas horas habituais - apertos de mão, abraços e beijos no rosto - não sou muito chegado à proximidadde física. A não ser, é claro, de pessoas muito especiais, em momentos muito especiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não era esse o caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tentei me defender. Escondi o braço atrás do corpo. Foi muito pior, os toques - quase golpes àquela altura - passaram a me atingir no peito e na barriga. O desconforto da situação me subiu ao rosto. Ficou evidente que algo não me agradava. Com as costas voltadas para a parede num bar barulhento percebi que não havia saída fácil. Estava encurralado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sufocado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob o pretexto de comprar cigarros pedi licença e saí do bar. Caminhei lentamente até uma padaria próxima. Um mendigo falou comigo. Era um mendigo jovem, negro, de rosto bonito e voz clara. "Me dá uma esmola?" Eu estranhei muito o uso do termo esmola. geralmente se escuta "me dá uma moeda" ou "me dá uma forcinha?" Neguei o dinheiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei na padaria e comprei meu Marlboro vermelho. Na saída um pequeno tumulto havia tomado a rua, muitas vozes no meio do barulho do trânsito. Alguém havia sido atropelado. Lembrei do cachorrinho. Escutei alguém dizer que o mendigo tinha se jogado embaixo de um ônibus. Não fui olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei ao bar. Me sentei numa mesa vazia qualquer. Em silêncio de novo. Com muito esforço consegui fazer minha mente ficar em branco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher dos cutucões voltou. Protegido pela distância que a mesa nos obrigava a manter me senti melhor. Mas não o suficiente para falar. Acho que ela deve ter tentado conversar comigo por quase dez minutos antes de me perguntar se eu me sentia bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abri a boca. Não sei o que disse. Levantei e fui embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela terceira vez no dia guiava em alta velocidade na Marginal Pinheiros. Folhas secas, pedaços de papel e outras coisas se misturavam em torvelinhos no vento. Os pequenos rodamoinhos de sujeira corriam mais que meu carro. Aquele cheiro que antecede a chuva era mais forte que o fedor do rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas chuva não veio. A verdadeira tempestade que me aguardava não estava no céu. Me esperava para o jantar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35144988-1961348807050660494?l=cafeinasp.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeinasp.blogspot.com/feeds/1961348807050660494/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35144988&amp;postID=1961348807050660494' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/1961348807050660494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/1961348807050660494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeinasp.blogspot.com/2006/11/cachorro-morto-parte-2.html' title='Cachorro Morto -  Parte 2'/><author><name>Cafeína SP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06077395749110528869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35144988.post-7539472726128100035</id><published>2006-11-18T03:26:00.000-02:00</published><updated>2006-11-18T03:41:15.445-02:00</updated><title type='text'>Cachorro Morto -  Parte 3b</title><content type='html'>Havia combinado de encontrar minha esposa num restaurante japonês. Escolhemos um daqueles com balcões onde você pode observar o trabalho do sushiman. Não era exatamente um restaurante tradicional, mas já existia há muito tempo e eu chamava o rapaz do outro lado do balcão pelo nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conversa demorava a engrenar. Trabalhos, shows de música, livros e histórias estranhas de festas de pessoas que eu lembrava do nome mas não conhecia. Nada disso era páreo para o brilho da lâmina da faca que cortava o peixe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O reflexo da luz no metal me hipnotizava, indo e vindo, como se a carne do atum não oferecesse resistência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperei pelo momento certo. O sushiman se distraiu com algum comentário do outro lado do balcão, eu agarrei a faca e dei no pé. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois dessa atitude impulsiva seria difícil voltar a ser bem atendido naquele restaurante. Muito mais difícil seria minha mulher me achar normal novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corri alguns quarteirões com a arma branca nas mãos. Parei numa praça escura para descansar. Me sentei num banco. A única luz ali era o reflexo da lua na lâmina afiada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde então entendi tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivo nas avenidas. Amo as marginais. Durmo nas pontes. Tenho sonhos ansiosos em alta velocidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passo meus dias a gravar lentamente - com a faca japonesa - os troncos das árvores a mensagem "A verdade é para sempre, porque a Verdade não existe".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35144988-7539472726128100035?l=cafeinasp.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeinasp.blogspot.com/feeds/7539472726128100035/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35144988&amp;postID=7539472726128100035' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/7539472726128100035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/7539472726128100035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeinasp.blogspot.com/2006/11/cachorro-morto-parte-3b.html' title='Cachorro Morto -  Parte 3b'/><author><name>Cafeína SP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06077395749110528869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35144988.post-5299573775895957578</id><published>2006-11-17T08:18:00.000-02:00</published><updated>2006-11-17T08:34:27.702-02:00</updated><title type='text'>Hoje estou sem palavras</title><content type='html'>Clique nas imagens para amplia-las&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger2/1308/4290/1600/827485/1.gif"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger2/1308/4290/320/622773/1.png" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger2/1308/4290/1600/689191/2.gif"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger2/1308/4290/320/365643/2.png" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Albert Bertolin - Vice, julho de 2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35144988-5299573775895957578?l=cafeinasp.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeinasp.blogspot.com/feeds/5299573775895957578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35144988&amp;postID=5299573775895957578' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/5299573775895957578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/5299573775895957578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeinasp.blogspot.com/2006/11/hoje-estou-sem-palavras.html' title='Hoje estou sem palavras'/><author><name>Cafeína SP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06077395749110528869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35144988.post-8411064505196541033</id><published>2006-11-09T12:30:00.000-02:00</published><updated>2006-11-09T12:34:22.401-02:00</updated><title type='text'>SBT</title><content type='html'>Hoje foi o primeiro dia de trabalho da minha mulher. Levei-a de carro até o SBT. Pegamos o trevo da saída 18 da Anhangüera. Uma rua ladeada de grama leva até os estúdios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parei na portaria. Nos beijamos. Dei a volta no pátio do estacionamento e fiz o caminho inverso na tal ruazinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia uma lombada que me fez reduzir a velocidade. Ainda sentia o gosto do beijo quando notei uma pessoa sentada na grama. Olhei e vi que na verdade eram duas pessoas, a mãe e um filho de colo. A mãe chorava como se fosse o fim do mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dirigi por mais alguns metros, até um ponto onde a rua era mais larga e fiz meia volta. Parei ao lado da mulher e abri a janela. "Moça, você está bem? Posso te ajudar?" - "Só Deus pode me ajudar, só Deus..." foi a resposta entre soluços. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hesitei - "Olha, eu estou indo de volta para São Paulo, posso levar a senhora". Chama-la de senhora realmente não cabia na situação. Mesmo com o rosto contorcido e inchado pelo choro pude perceber que ela era um tanto mais nova que eu, vinte e poucos anos no máximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não respondeu, apenas continuou com os soluços e as lágrimas. "Se você precisar posso te deixar em algum lugar aqui perto" - ofereci tentando não me envolver demais. Usando frases desconexas ela disse alguma coisa sobre ter ido à portaria e a terem barrado. Ela queria voltar para o marido que estava ainda tentando entrar na emissora. Também me contou que não tinha casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensamentos contraditórios tomaram conta da minha cabeça. Queria ajuda-la mas não podia perder tempo. Ainda tinha que trabalhar muito nesse dia. Abri a porta do carro para ela entrar. O bebê me ofereceu a mamadeira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No pouco que durou nossa viagem perguntei de onde ela vinha. São José dos Campos ou São José do Rio Preto, não me recordo exatamente. "Você veio procurar o Sílvio?" - "Não, vim pedir ajuda pro Gugu".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avistamos o marido, rodeado de sacolas com aquilo que deveriam ser provavelmente todas as posses do casal. Ele falava com o porteiro, aparentando tranquilidade. Estacionei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;" Pois não?" - me perguntou o homem uniformizado. "Eu vi essa moça tão desesperada na rua, trouxe ela e o filho para perto do marido" - "Muito obrigado, agora vai ficar tudo bem", me respondeu o funcionário da emissora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quis acreditar. Me concentrei e acreditei. Me despedi rapidamente, entrei no carro e acelerei em direção à estrada. Logo abaixo da placa que anuncia o início do perímetro urbano começou o engarrafamento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35144988-8411064505196541033?l=cafeinasp.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeinasp.blogspot.com/feeds/8411064505196541033/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35144988&amp;postID=8411064505196541033' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/8411064505196541033'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/8411064505196541033'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeinasp.blogspot.com/2006/11/sbt.html' title='SBT'/><author><name>Cafeína SP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06077395749110528869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35144988.post-116262832140050006</id><published>2006-11-04T05:18:00.000-03:00</published><updated>2006-11-06T19:03:32.320-02:00</updated><title type='text'>Cachorro Morto -  Parte 3</title><content type='html'>Cheguei em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Por quê você demorou tanto?" - minha mulher perguntou depois de um beijo curto. Pensei no cachorro, pensei no mendigo, pensei na mulher dos cutucões. "Peguei muito trânsito." - respondi sem revelar qualquer das coisas que me perturbava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em silêncio ajudei-a a fazer o jantar. A luminária da cozinha desenhava na parede de azulejos amarelos. Comemos engasgados em nossa própria conversa. Evitava pensar tentando adivinhar as formas de luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminei de comer. Esperei minha mulher terminar de comer. Fomos juntos até a sala e nos sentamos no sofá. Enquanto eu passava os olhos numa revista, ela assistia televisão. Trocava tão rápido de canal que parecia assistir todos ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela puxou conversa comigo. Não me sentia com vontade de responder. Silêncios diversos preenchiam nosso diálogo. Mas aquela série de perguntas sem resposta não poderia nunca ser classificada como diálogo.  Era na verdade um massacre, uma tortura. Sem saber, eu a humilhava com minha indiferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escutei o soluçar inconfundível que acompanha lágrimas. O som do choro reverberou em meu peito. A pedra que eu trazia no lugar do coração trincou. Se partiu. E de dentro dela começaram a gotejar todos os sentimentos que estavam presos desde o começo do dia. E depois, como uma enxurrada, saíram os sentimentos que estavam entalados há mais tempo, muito mais tempo. Percebi o quanto eu ansiava por coisas que nunca eram possíveis naquela vida que levava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidi que queria ficar sozinho. De verdade. Queria me aventurar. Ser livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentei explicar o que sentia, que a queria bem mas queria ficar só. Abracei aquela mulher que agora me parecia tão frágil. Ela relutou, mas teve de aceitar minha decisão. Fizemos amor como se fosse despedida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao terminar, cansados, entramos no nevoeiro que divide o sono e a vigília. A última coisa que me lembro é ela perguntar se eu sentia algum cheiro estranho. Respondi com um abraço e disse que deveríamos dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive um sonho muito desconfortável. Uma paisagem de céu vermelho e rochas escuras, cortada por um rio. Havia um barco. O barqueiro era um mendigo com cabeça de cachorro. A cabeça atropelada do cachorrinho que cruzou meu caminho no início da tarde. Com a voz berm clara ele me pedia uma moeda, mas eu não tinha. Não poderia cruzar o rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentei acordar daquele sonho estranho. Tentei me mover. Tentei falar. Tentei ver. Mas havia uma escuridão muito mais densa que o sono. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mulher tinha razão. Aquele cheiro era estranho. O gás da cozinha havia ficado aberto. Eu havia sufocado. Estava morto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35144988-116262832140050006?l=cafeinasp.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeinasp.blogspot.com/feeds/116262832140050006/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35144988&amp;postID=116262832140050006' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/116262832140050006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/116262832140050006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeinasp.blogspot.com/2006/11/cachorro-morto-parte-3.html' title='Cachorro Morto -  Parte 3'/><author><name>Cafeína SP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06077395749110528869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35144988.post-116226231612661234</id><published>2006-10-30T23:32:00.000-03:00</published><updated>2006-11-06T19:03:32.254-02:00</updated><title type='text'>Cachorro Morto -  Parte 2</title><content type='html'>Hoje meu coração é de pedra, atropelei um cachorro na avenida.&lt;br /&gt;Mas isso não me faz sentir menos vulnerável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora já é noite. Estou no trânsito, acelerando, freando, acelerando, freando, faz quase duas horas. Na Marginal Pinheiros, mais uma vez. É tão devagar que já é hora de atender aos compromissos sociais. Festa de aniversário, happy hour, lançamento de livro, vernissage em galeria - faz diferença?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei preso numa conversa desinteressante, que uma mulher me contou sobre uma viagem que eu não queria saber. Ela contava os detalhes e me cutucava no braço ou no ombro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu odeio que me toquem. Afora os cumprimentos habituais nas horas habituais - apertos de mão, abraços e beijos no rosto - não sou muito chegado à proximidadde física. A não ser, é claro, de pessoas muito especiais, em momentos muito especiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não era esse o caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tentei me defender. Escondi o braço atrás do corpo. Foi muito pior, os toques - quase golpes àquela altura -  passaram a me atingir no peito e na barriga. O desconforto da situação me subiu ao rosto. Ficou evidente que algo não me agradava. Com as costas voltadas para a parede num bar barulhento percebi que não havia saída fácil. Estava encurralado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sufocado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob o pretexto de comprar cigarros pedi licença e saí do bar. Caminhei lentamente até uma padaria próxima. Um mendigo falou comigo. Era um mendigo jovem, negro, de rosto bonito e voz clara. "Me dá uma esmola?" Eu estranhei muito o uso do termo esmola. geralmente se escuta "me dá uma moeda" ou "me dá uma forcinha?" Neguei o dinheiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei na padaria e comprei meu Marlboro vermelho. Na saída um pequeno tumulto havia tomado a rua, muitas vozes no meio do barulho do trânsito. Alguém havia sido atropelado. Lembrei do cachorrinho. Escutei alguém dizer que o mendigo tinha se jogado embaixo de um ônibus. Não fui olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei ao bar. Me sentei numa mesa vazia qualquer. Em silêncio de novo. Com muito esforço consegui fazer minha mente ficar em branco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher dos cutucões voltou. Protegido pela distância que a mesa nos obrigava a manter me senti melhor. Mas não o suficiente para falar. Acho que ela deve ter tentado conversar comigo por quase dez minutos antes de me perguntar se eu me sentia bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abri a boca. Não sei o que disse. Levantei e fui embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela terceira vez no dia guiava em alta velocidade na Marginal Pinheiros. Folhas secas, pedaços de papel e outras coisas se misturavam em torvelinhos no vento. Os pequenos rodamoinhos de sujeira corriam mais que meu carro. Aquele cheiro que antecede a chuva era mais forte que o fedor do rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu nunca chegaria a ver aquela chuva cair.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35144988-116226231612661234?l=cafeinasp.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeinasp.blogspot.com/feeds/116226231612661234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35144988&amp;postID=116226231612661234' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/116226231612661234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/116226231612661234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeinasp.blogspot.com/2006/10/cachorro-morto-parte-2.html' title='Cachorro Morto -  Parte 2'/><author><name>Cafeína SP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06077395749110528869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35144988.post-116210618612091422</id><published>2006-10-29T04:06:00.000-03:00</published><updated>2006-11-06T19:03:32.187-02:00</updated><title type='text'>Cachorro Morto -  Parte 1</title><content type='html'>Acordei no meio de um pesadelo. Me atracava com um inimigo mortal. Eu pulava no pescoço dele. Minhas unhas como cacos de vidro na garganta. Dei um pulo na cama, em direção à jugular da minha mulher, que despertou assustada com meu sonambulismo assassino. Tomamos café da manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui com ela até uma emissora de TV, num distrito industrial, muito distante. Nos perdemos. Conheci o Rodoanel. Peguei trânsito no final da Anhangüera. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvi emendar os compromissos e tive de emendar viagens. Grandes distâncias. Extremos da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percorri toda a Marginal Pinheiros sem pôr o pé no freio. Sol e asfalto, calor e cimento. Driblando caminhões tomei o caminho da esquerda, Guido Caloi. Direita na M'boi Mirim, em direção ao Jardim Ângela. Apesar de ser sexta-feira, quase duas da tarde, poucos carros apareceram para dificultar o meu caminho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, já eram quase três horas guiando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No corredor de ônibus um biarticulado parou no ponto. Um cachorrinho saiu correndo logo à frente, numa tentativa fatal de atravassar a rua. Meti o pé no freio e joguei o carro para a direita. O pequeno animal fez suas últimas - e infelizes - escolhas. Correu de um lado para o outro. O barulho dos pneus gastando na rua. Brevemente interrompido duas vezes por um som surdo. Scriiiiii toc toc scriiiiii.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma sensação péssima. Pressão no estômago. Olhei pelo retrovisor, e reconheci o vulto escuro de um cachorro dançando mais de um palmo acima do chão em violentas convulsões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parei o carro em algum lugar - uns 20 metros depois - já tentando mentalizar que era apenas um cachorro, num acidente, não era culpa minha, e se fosse, não seria muita coisa, afinal. era só um cachorrinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desci do carro acendendo um cigarro. Calafrios faziam minhas mãos tremer. Ânsia de vômito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei e vi duas crianças - um menino e uma menina - e uma moça de uns vinte anos em volta do animalzinho agonizante. O menino, que provavelmente havia arrastado o bicho do meio da avenida até a calçada, pôs a mão no peito do coitado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O corpinho aparentemente intacto, os pêlos ainda tentando me convencer que eram bonitos e saudáveis. Percebi as tetinhas - era uma cadelinha. Também notei os sangue escorrendo do ouvido. E os olhinhos para fora das órbitas. Entendi que havia acertado a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O coração parou de bater" -  disse o menino. Fiquei em silêncio. Muito silêncio. Não ouvi ninguém chorar. Não ouvi o barulhos dos carros, ônibus e caminhões na avenida. Não ouvi nem meus pensamentos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35144988-116210618612091422?l=cafeinasp.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeinasp.blogspot.com/feeds/116210618612091422/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35144988&amp;postID=116210618612091422' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/116210618612091422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/116210618612091422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeinasp.blogspot.com/2006/10/cachorro-morto-parte-1.html' title='Cachorro Morto -  Parte 1'/><author><name>Cafeína SP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06077395749110528869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35144988.post-116170094658555313</id><published>2006-10-24T11:41:00.001-03:00</published><updated>2006-11-06T19:03:32.120-02:00</updated><title type='text'>Na mão dos outros</title><content type='html'>Só gosto do que está na mão dos outros.&lt;br /&gt;Desde criança.&lt;br /&gt;Os brinquedos dos amiguinhos.&lt;br /&gt;A bola nova do moleque do prédio.&lt;br /&gt;A bicicleta do boyzinho da escola.&lt;br /&gt;A namorada dos amigos.&lt;br /&gt;A noiva dos primos&lt;br /&gt;A mulher do vizinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, se me derem uma chance...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35144988-116170094658555313?l=cafeinasp.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeinasp.blogspot.com/feeds/116170094658555313/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35144988&amp;postID=116170094658555313' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/116170094658555313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/116170094658555313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeinasp.blogspot.com/2006/10/na-mao-dos-outros.html' title='Na mão dos outros'/><author><name>Cafeína SP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06077395749110528869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35144988.post-116170090335483695</id><published>2006-10-24T11:41:00.000-03:00</published><updated>2006-11-06T19:03:32.056-02:00</updated><title type='text'>Cafeína Technicolor</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/250/3905/1600/luta-1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/250/3905/400/luta-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35144988-116170090335483695?l=cafeinasp.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeinasp.blogspot.com/feeds/116170090335483695/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35144988&amp;postID=116170090335483695' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/116170090335483695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/116170090335483695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeinasp.blogspot.com/2006/10/cafena-technicolor.html' title='Cafeína Technicolor'/><author><name>Cafeína SP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06077395749110528869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35144988.post-116124012650404780</id><published>2006-10-19T03:42:00.000-03:00</published><updated>2006-11-07T16:34:38.251-02:00</updated><title type='text'>Pãezinhos</title><content type='html'>Resolvi comprar pão naquele mercado porque era o único lugar que vendia pão realmente fresco após as nove da noite. Fresco mesmo, a última fornada saía quinze para as nove. O inconveniente era que o mercado era grande, com muitos corredores, muita gente. Mesmo naquele domingo frio, mesmo naquela hora, mesmo com aquela chuva. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei no estacionamento do subsolo e o segurança apenas acenou, em lugar de me pedir para parar, anotar a minha placa e me entregar o canhoto como era de costume. Não precisei parar, então acelerei e fiz a curva em direção às vagas. Pisei forte no freio, para ouvir gritos e uns xingamentos. Quase havia atropelado um casal com suas compras. Como eu podia não os haver visto?! A única justificativa que eu pude dar a mim mesmo, no meio do susto, era a última semana de trabalho alucinada, sem horários para acabar, dia após dia, e que ainda se estenderia pela próxima semana. Parei o carro já apontando para a saída. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que entrei no mercado, sem saber exatamente porquê, peguei um carrinho, daqueles pequenos. Me dei conta e troquei por uma cesta, que acabei abandonando na seção de frutas e verduras. Ainda atordoado (pela freada brusca ou pela falta de sono - não sei) caminhei pelos corredores em passos rápidos e embaralhados, sem pensar em absolutamente nada, observando as gôndolas cheias de produtos que não me diziam muita coisa, até que me lembrei do pão. O pão! Minha única razão para ter vindo aqui! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mudar de direção bruscamente esbarrei e quase derrubei uma mulherzinha que fazia compras carregando um bebê e acompanhada de uma filha. Tudo nela me causava estranhamento, sua cabeça desproporcional à altura, a testa larga e alta, os olhos separados demais, a pele do rosto marcada, a boca cheia de dentes tortos, nariz e queixo pontudos. Ela simplesmente me olhou e não disse nada. Murmurei desculpas rapidamente e segui, com os pensamentos congestionados, para os fundos do mercado, onde ficam os pães. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui direto para a cesta de pães frescos. Enfiei minhas mãos ávidas nos pãezinhos ainda quentes, apenas para receber olhares condenatórios de dois senhores de meia idade, que deram voz à indignação.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De onde eles apareceram?? Será que eu não havia notado a fila? Ou eles simplesmente se achavam no direito de se servirem antes de mim por serem mais velhos? Resolvi pedir desculpas mais uma vez. Me justifiquei - "Desculpem-me, eu sou muito apressado e às vezes me descontrolo" - argumento que não pareceu comover nenhum dos homens. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fila andou, peguei meus pães, e fui para o caixa. Na minha frente um casal jovem pagava uma pequena compra, de vinho, cerveja e chocolates. Houve algum imprevisto, com o cartão, eu acho, chamaram a gerente, uma demora que para mim foi excruciante, deixei escapar um suspiro estranhamente agressivo. Enquanto esperavam o problema ser resolvido, a moça cochichou alguma coisa para o namorado, enquanto me olhava vagamente. Talvez eu esteja enganado, mas tenho quase certeza de ter reconhecido um misto de escárnio e desaprovação naqueles olhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebi um movimento rápido atrás de mim. A mulher em quem eu havia esbarrado antes de comprar os pães estava ali. A filha reclamando, pedindo para a mãe comprar algum doce. Provavelmente para deixar bem claro que naquela noite não haveria doce algum, a mãe começou a colocar as compras na esteira do caixa com vigor. Plaft - um pacote de macarrão. "Mãe, uma balinha?" - plaft - uma lata de azeite. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei melhor olhar para baixo e apenas escutar o mudo debate de mãe e filha, evitando o contato visual. Na terceira rodada de pedidos seguidos do barulho meio surdo que os produtos postos com força excessiva na esteira fazem, um pote de meio quilo de margarina apareceu disposto exatamente em cima do meu saco de pães. Que inferno! Essa mulher me parecia um um pequeno demônio agora. Com sua pequenas filhas-demônio, amassando meu pão como castigo por eu ter esbarrado nela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Boa noite" - disse mecanicamente a moça do caixa, interrompendo meus pensamentos. O casal da frente já havia ido embora. "Essas compras também são do senhor?" - perguntou, apontando para a margarina, o azeite e o macarrão. "Não, só os pãezinhos, obrigado". Paguei rapidamente, e fui em direção ao estacionamento no piso inferior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentia pressa. Desci afobado os lances da escadaria, que formavam uma espiral quadrada. Tive a impressão de ter descido vários andares, e não apenas um. A garagem estava muito mais vazia, com um setor já escuro, sem iluminação. Mas meu carro estava na parte onde as lâmpadas ainda estavam acesas. Corri, abri a porta, joguei a sacola com os pães no banco de trás e acelerei, cantando os pneus - meu deus, porque tanta pressa? Tudo isso é apenas medo irracional daquela mulher com a testa larga e cara de diabo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma freada. Desta vez era outro carro, com o casal que estava na minha frente na fila do caixa. Escutei mais um sonoro palavrão, que eu ignorei, pois via o portão do estacionamento aberto na minha frente. Acenei para o segurança, saí do estacionamento, fiz uma curva á à direita e olhei no retrovisor. Tive certeza de que aquele casal agora me seguia.  &lt;br /&gt;Medo? Sensações de sufocamento, pressa e ansiedade. Pressentia a punição diabólica. Mas quem seria? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moça que estava na minha frente no caixa? Ela tinha um olhar ameaçador, era verdade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe diaba e suas filhas demônio? O medo que elas me inspiravam vinha de dentro do estômago e me gelava a espinha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou aqueles senhores da fila do pão? Não, eles não fariam isso, eu acho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acelerei mais, furei um par de sinais vermelhos, ultrapassei irresponsavelmente alguns carros, estacionei de qualquer maneira na frente da minha casa. Destranquei, entrei, tranquei o portão. Atravessei o corredor a passos largos. Destranquei, entrei, tranquei a porta. Larguei as compras na mesa da cozinha, me sentei numa cadeira. Senti um cheiro acre, parecido com o cheiro dos hospitais.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisava parar, relaxar. Acendi um cigarro. Abri o saco de pães. Estavam todos amassados, com certeza por causa da margarina que havia sido atirada sobre eles. Perdi o apetite. Fui me deitar horas depois, sabendo que teria menos tempo que o necessário para dormir até que meu despertador tocasse.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35144988-116124012650404780?l=cafeinasp.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeinasp.blogspot.com/feeds/116124012650404780/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35144988&amp;postID=116124012650404780' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/116124012650404780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/116124012650404780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeinasp.blogspot.com/2006/10/pezinhos_19.html' title='Pãezinhos'/><author><name>Cafeína SP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06077395749110528869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35144988.post-116123994398512365</id><published>2006-10-19T03:38:00.000-03:00</published><updated>2006-11-06T19:03:31.915-02:00</updated><title type='text'>Cheque</title><content type='html'>Foi num daqueles dias de deliciosa fúria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O prazo de entrega daquele freela para um cliente novo estourando. Noites viradas. Trânsito. Contas a pagar. Todos os exageros recentemente cometidos. O abuso de cafeína e bebidas alcoólicas. Os gostos extravagantes e dispendiosos. A falta de planejamento. As baladas no meio da semana. Tudo. Agora eu sou stress, ansiedade, mania, paranóia e uma conta bancária perigosamente tendendo ao zero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é véspera do feriado de 12 de outubro, duas da tarde, e brilha uma luz no céu. Dia de uma santa de uma religião que não é a minha. Mas caí nas graças dela com certeza, porque meu cliente resolveu pagar a equipe antes do fim de semana prolongado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu caso o pagamento foi um cheque nominal e não cruzado. Isso exigiria movimentos ousados e certeiros para garantir um feriado feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu teria que ir até o Banco Santander, trocar o cheque, me dirigir ao Banco Real - o meu banco - e depositar a grana. Somente assim teria fundos para o que quer que fosse nos próximos dias. Escolhi as agências da Pedroso de Morais, em Pinheiros, porque ficam a uma distância de 30 metros uma da outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parei o carro na agência do Real, que é a única que tem estacionamento. Caminhei tranquilamente até a agência do Santander e entrei na fila do caixa. Chegou minha vez e - uau - adrenalina, ansiedade. Mal consegui abrir a boca, apenas mostrei o cheque e murmurei alguma coisa que nem eu mesmo entendi. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moça tirou vários chumaços de dinheiro do caixa, todo mundo podia ver. Comecei a sentir frio na barriga. Ela contou ostetativamente, me estendeu a pilha de cédulas e perguntou se eu queria contar. Não lembro de ter respondido, mas provavelmente contei as notas, certamente com as mãos tremendo.Também não me recordo de ter agradecido ou assinado algum papelzinho. Acho que simplesmente agarrei os volumosos bolos de notas de 50, meti no bolso e comecei a suar frio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu banco ficava a menos de 30 metros de onde eu estava, mas só de pensar de sair de perto dos seguranças armados me deu vertigem. Aproveitei meus últimos momentos de segurança para vasculhar com os olhos o saguão do banco em busca de alguma pessoa me observando de maneira suspeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atravessei a porta giratória blindada inspirando ar, olhar fixo na porta de vidro da saída. Terminei o giro e apertei o passo. Um, dois, três, quatro passos. Estou na rua. Vento, barulho, fumaça - não sinto absolutamente nenhum deles. Antes que eu possa perceber dou um pulo e me ponho a correr - braços agitados como um louco - em direção a agência de meu banco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corri como se fosse para salvar a minha própria vida. E acho que talvez isso não fosse exagero, porque eu não deixaria ninguém tocar na minha grana e no caso de um assalto provavelmente estaria disposto à levar um tiro na cabeça antes de entregar o dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei na agência bufando, arremessei todos os meus pertences (celular, chaves, carteira, isqueiro, cigarro, tic tac) na caixinha de plástico e me atirei na porta giratória. Sorri pro negão de arma em punho e com colete a prova de balas que estava fazendo o turno de vigia. Ah, como me senti bem! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperei minha vez de ser atendido. Depositei a grana. Sorri aliviado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35144988-116123994398512365?l=cafeinasp.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeinasp.blogspot.com/feeds/116123994398512365/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35144988&amp;postID=116123994398512365' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/116123994398512365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/116123994398512365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeinasp.blogspot.com/2006/10/cheque_19.html' title='Cheque'/><author><name>Cafeína SP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06077395749110528869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35144988.post-116123983035627824</id><published>2006-10-19T03:33:00.000-03:00</published><updated>2006-11-06T19:03:31.850-02:00</updated><title type='text'>Cantuccini</title><content type='html'>Aquele docinho que acompanha o café.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/250/3905/1600/dilbert2002443261018.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/250/3905/400/dilbert2002443261018.png" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35144988-116123983035627824?l=cafeinasp.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeinasp.blogspot.com/feeds/116123983035627824/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35144988&amp;postID=116123983035627824' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/116123983035627824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/116123983035627824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeinasp.blogspot.com/2006/10/cantuccini.html' title='Cantuccini'/><author><name>Cafeína SP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06077395749110528869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35144988.post-116040367702387429</id><published>2006-10-09T11:20:00.000-03:00</published><updated>2006-11-06T19:03:31.650-02:00</updated><title type='text'>Briga</title><content type='html'>De manhã ele brigou com a mulher.&lt;br /&gt;Gritou impropérios, como não costumava fazer.&lt;br /&gt;Mandou-a embora, quebrou os vasos, atirou os quadros ao chão.&lt;br /&gt;Enlouquecido, esqueceu-se de comer.&lt;br /&gt;Se deitou e dormiu um sono difícil até a tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando despertou, a cabeça girando, não sabia dizer se havia sonhado&lt;br /&gt;Caminhou pela casa, e escutava apenas o eco dos próprios passos.&lt;br /&gt;Com os olhos baixos, viu a luz da janela da sala refletir palidamente no chão que há muito não era encerado.&lt;br /&gt;A cozinha parecia mais branca, iluminada.&lt;br /&gt;O banheiro, mais frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se olhou no espelho, não se reconheceu.&lt;br /&gt;A barba por fazer, o cabelo estranhamente arrumado.&lt;br /&gt;Olhou de novo. Parecia alguém, um outro alguém, que ele não conhecia mas já havia visto em algum lugar.&lt;br /&gt;Pensou nos porquês de tudo aquilo.&lt;br /&gt;Se deu conta de que havia destruído muito mais que vasos e quadros.&lt;br /&gt;Muito mais que seu relacionamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teria de começar tudo outra vez.&lt;br /&gt;Outros quadros, outros vasos e outra mulher.&lt;br /&gt;Teria de sair em busca de tantas coisas.&lt;br /&gt;Escolheria retratos? Bromélias? Uma mulher ruiva?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raspou a barba, mas deixou um bigode.&lt;br /&gt;Um pouco ridículo, um pouco falho, mas era um bigode.&lt;br /&gt;Remendou os quadros.&lt;br /&gt;Limpou a terra dos vasos.&lt;br /&gt;E saiu em busca da mesma mulher.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35144988-116040367702387429?l=cafeinasp.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeinasp.blogspot.com/feeds/116040367702387429/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35144988&amp;postID=116040367702387429' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/116040367702387429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/116040367702387429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeinasp.blogspot.com/2006/10/briga.html' title='Briga'/><author><name>Cafeína SP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06077395749110528869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35144988.post-116006306213351922</id><published>2006-10-05T11:37:00.000-03:00</published><updated>2006-11-06T19:03:31.578-02:00</updated><title type='text'>Tentativa de manter uma rotina saudável</title><content type='html'>Após consumir um pacote de café de 500 gramas em uma semana minha madíbula começou a doer. &lt;br /&gt;Determinado a acabar com o sofrimento, decidi prestar mais atenção no dia-a-dia e controlar a ingestão de substâncias erradas nas horas erradas. Isso requer muita força de vontade, especialmente quando seus horários de trabalho não são usuais e nem seguem nenhuma regra aparente. &lt;br /&gt;Acompanhe os acontecimentos e os resultados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(neste ponto eu tinha esperanças de domar o meu problema, resolvi não tomar mais café)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quinta&lt;br /&gt;09:00 - Pãozinho com manteiga e mel, sinto o cheiro do café, decido que cheiro de café não é benéfico para mim&lt;br /&gt;09:15 - Dois cigarros&lt;br /&gt;09:30 - Mais um cigarro, o tempo não passa nunca&lt;br /&gt;14:00 - Coxinha, cigarro&lt;br /&gt;17:00 - Lanche na padoca, dois cigarros&lt;br /&gt;22:00 - Diversos destilados, cerveja e cigarros em conversa mal-humorada com amigos madrugada adentro, não lembro o que comi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(estou visivelmente azedo, apesar da sensação física de bem-estar alcançada através da ausência de dor na mandíbula)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sexta&lt;br /&gt;08:30 - Pãozinho, requeijão, água (eu odeio leite)&lt;br /&gt;10:00 - Dois cigarros&lt;br /&gt;14:00 - Coxinha de bar, mais dois cigarros&lt;br /&gt;16:00 - Mais dois cigarros&lt;br /&gt;19:00 - Encontro a Bel, brigo sem ter motivo, pedimos pizza&lt;br /&gt;21:00 - Três beques&lt;br /&gt;23:30 - Odeio a TV e os DVD's, odeio o YouTube, vou dormir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a vida sem café é dura, mas eu ainda resisto)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sábado&lt;br /&gt;11:30 - Misto quente de padaria, as mãos tremem, mas não tomo café&lt;br /&gt;12:30 - Mais uma briga sem razão com a Bel, estou desperdiçando as fichas para a hora que tiver que falar sério&lt;br /&gt;15:00 - Almoço no bar, delícia! Um cigarro&lt;br /&gt;22:00 - Fico em casa, não tive saco pra falar com ninguém no telefone, dois beques&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(o horizonte é cinza, a Bel é uma chata, meus amigos são uns malas, eu sempre tenho razão em tudo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domingo&lt;br /&gt;11:15 - Pãozinho, manteiga e mel, água&lt;br /&gt;12:30 - Troca de farpas infrutífera com a Bel&lt;br /&gt;14:00 - Almoço com os pais, tomo um espresso&lt;br /&gt;15:30 - Sobremesa, mais um espresso&lt;br /&gt;16:00 - Ligo para todos os amigos e convido para virem jejuar comigo&lt;br /&gt;17:45 - Começa o jejum de Yom Kippur&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(começo o dia do Perdão em estado de euforia)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda&lt;br /&gt;18:45 - Pãozinho com requeijão&lt;br /&gt;20:45 - Lauta refeição na casa dos tios&lt;br /&gt;23:30 - Tapa na pantera&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(termino o jejum mais fácil de todos os tempos, certo de que minha alma é pura)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terça&lt;br /&gt;08:00 - Pão com manteiga, mortadela, uma xícara de café&lt;br /&gt;14:00 - Quilão, sem café nem cigarros&lt;br /&gt;16:00 - Dois espressos&lt;br /&gt;18:00 - Um espresso&lt;br /&gt;21:00 - Pãozinho e frios, cerveja, mais um bequinho&lt;br /&gt;23:00 - Faço as pazes com a Bel &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(sou um novo homem, consigo conciliar relacionamentos, tenho muita energia, amo todos e todos me amam)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quarta&lt;br /&gt;11:45 - Pão com manteiga e mel, duas xícaras de café&lt;br /&gt;14:30 - Um beirute, um café&lt;br /&gt;21:00 - Pizza, cerveja, café&lt;br /&gt;23:00 - Só uns peguinhas, um iogurte, trabalho até a madrugada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(de volta ao normal)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conclusão:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Cafeína não é de deixar tirar conclusão. &lt;br /&gt;Cafeína é ação. E reação também.&lt;br /&gt;Cafeína sempre tem razão em tudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35144988-116006306213351922?l=cafeinasp.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeinasp.blogspot.com/feeds/116006306213351922/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35144988&amp;postID=116006306213351922' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/116006306213351922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/116006306213351922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeinasp.blogspot.com/2006/10/tentativa-de-manter-uma-rotina-saudvel.html' title='Tentativa de manter uma rotina saudável'/><author><name>Cafeína SP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06077395749110528869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35144988.post-115940302140780720</id><published>2006-09-27T21:02:00.000-03:00</published><updated>2006-11-06T19:03:31.497-02:00</updated><title type='text'>Qual é a vez que a gente nunca esquece mesmo?</title><content type='html'>Ok, vou começar meu blog.&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;O que eu escrevo?&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;Por essas e outras que eu prefiro cafeína à todas as outras drogas conhecidas pela humanidade.&lt;br /&gt;Com a dose certa de cafeína eu não hesitaria, já teria escrito o post todo.&lt;br /&gt;Bem humorado ou ranzinza, escreveria alguma coisa forte... ou um poeminha?&lt;br /&gt;Não sei, porque não estou sob o efeito dela, mas não estaria tão lesado. Isso é certo!&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;Peraí&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;Pronto, voltei com um cafézinho!&lt;br /&gt;Agora sim, sou um gênio!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35144988-115940302140780720?l=cafeinasp.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafeinasp.blogspot.com/feeds/115940302140780720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35144988&amp;postID=115940302140780720' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/115940302140780720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35144988/posts/default/115940302140780720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafeinasp.blogspot.com/2006/09/qual-vez-que-gente-nunca-esquece-mesmo.html' title='Qual é a vez que a gente nunca esquece mesmo?'/><author><name>Cafeína SP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06077395749110528869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry></feed>
