09 fevereiro 2007

Tragédia em três tempos

O último freela.

No meu último freela eu penei. Não havia onde estacionar o carro. Na hora do almoço eu tinha que caminhar quatro quadras antes de chegar em um restaurante que não cobrasse mais de 20 reais por prato. Fora o horário; fixo pra entrar e muito flexível pra sair. Isso mesmo. Entrava cedo e nunca sabia a hora de ir embora.

Para fechar com chave de merda. fui demitido por telefone. Eu tinha que esperar um diretor de arte aprovar o meu trabalho. O cara deu uma "saidinha" as cinco da tarde. As sete eu tinha tudo pronto. As dez o cara não atendia o celular. Fui embora e deixei um bilhete na mesa dele que dizia "se precisar refazer alguma parte me ligue no celular xxxx-xxxx que eu volto pra agência". As onze o telefone tocou e eu fui demitido por não estar esperando a figura...



O primeiro emprego (fixo em muitos anos)

Me chamaram para uma entrevista. Me ofereceram um salário decente, vaga coberta no estacionamento, férias, horários fixos e humanos. A equipe era composta por gente bacana. A chefe era gentil. O trabalho tinha muita visibilidade.

Teria eu coragem de abandonar minha vida masoquista no submundo do trabalho informal? Trocar minha total liberdade de dias e horários (em termos) por conforto material?



O primeiro remorso

Aceitei. E tive que abandonar alguém muito importante. Sim, minha máquina de café, que agora só me vê pela manhã, bem cedinho. Eu demonstro meu carinho quando a limpo todos os dias com uma flanela úmida. Mas ela está magoada, eu sinto isso no café, cada dia mais amargo.

Um comentário:

titi wessel disse...

Boa, Dave!!
Boa sorte no seu novo trabalho!!
Tô te esperando aqui em casa para a aula prática de percolação de café.

Beijão
Titi