13 janeiro 2007

É uma idéia para uma cena.

Foi uma noite dessas por volta das oito. Cheguei em casa e beijei minha mulher. Enquanto preparávamos o jantar conversamos sobre o dia que havia passado. Eu era responsável pela salada, e ela pela sopa (sim, sopa, no verão!).

- Hoje eu tive uma idéia!
- Mesmo? Que idéia?
- É uma idéia para uma cena.
- Ai, Ai. Você e suas idéias...
- É assim; nós dois estamos no sofá, vendo T.V., e eu digo pra você que tenho uma idéia para uma cena.
- Hum, e aí?
- Daí eu falo que você está na cena.
- Por quê você sempre põe meu nome na história? Porque você não usa um amigo?!
- Eu escrevi que você disse exatamente essa frase! “Porque você não conversa com um amigo?!“ E dai eu respondo “E por quê não conversar com meu cachorrinho?”. E daí você fica furiosa e diz “Quê?! Você me chamou de cadela?“.
- Quê?!!! – ela exclama - Você me chamou de cadela?!!!
- É! Olha só que perfeito! Aconteceu igualzinho agora!
- Você me expõe demais assim!
- Mas é tudo ficção, e eu nunca escrevi o seu nome.
- E por quê não conversa com um amigo sobre uma cena na qual eu apareço?
- E porquê não conversar com meu amigo sobre meu cachorro?
- Conversar com seu cachorro sobre mim pode! Ia ser super fofo!

E ante esse argumento, eu não tive resposta. Com um beijo encerramos a discussão e passamos a outro assunto.

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