Todo mundo sabe. Eu tenho uma máquina de café espresso. À seguir acompanhe o que aconteceu na primeira semana de adaptação à esta nova tecnologia.
Quarta-feira
21hs – Cheguei em casa com a Máquina. Desembalo cuidadosamente e leio o manual de instruções com atenção.
21:30 – Tiro o primeiro espresso. Preto, amargo, queimado. Duplo, porque ainda não havia comprado as xicrinhas apropriadas e uso uma xícara de chá.
22:45 – Finalmente domino a técnica. Depois de haver tomado 5 espressos duplos.
23hs – Escovo os dentes, que estão rangendo, e vou para a cama.
23:05 – Desisto de dormir e vou para o estúdio desenhar, ouvir música, escrever, ler um livro. Tudo ao mesmo tempo.
5:15 – Consigo ir dormir.
Quinta-feira
9hs – Pulo da cama sentindo as pálpebras quentes.
9:05 – Ligo a Máquina e tiro um espresso (na xícara de chá). Leio notícias e emails. Entrou um daqueles frilas suicidas.
9:15 – Tomo outro espresso e começo o frila.
16hs – Pausa pro almoço, um espressinho duplo prá arrematar.
18:30 – Pausa pro café.
21:30 – Pausa pro lanche. Pão com figo e mortadela. Café espresso.
2:15 – Pausa pro café. Estou me sentindo animado para terminar o frila.
5:45 – Pausa pro café.
Sexta-feira
7:30 – Ligo a Máquina. Os termos dia, noite, hoje e ontem parecem mais difíceis de abstrair na conversa de café da manhã com minha mulher. O açucar acabou. Dois cafés.
10:45 – Comemoro o tempo recorde para completar o trabalho com um café baiano (um espresso batizado com uma dose de cachaça). Chamo um portador para levar o CD embora.
14:15 – Como meu almoço meio a contragosto. Mais um espresso na xícara de chá.
22:45 – Na happy hour encontro amigos de profissão e entre eles um mineiro que se auto-proclama um viciado em café. Comemoramos a nova amizade tomando um par de espressos cada um.
1:50 – O cara também conhece o café baiano, mas chama de outro nome, que eu não lembro.
3:25 – Nosso pedido de mais dois café baianos e negado pelo garçom. Vamos embora. Ao chegar em casa fica mais fácil dormir
Sábado
8:15 – Um fiozinho de luz entra pela fresta da janela. Pulo da cama.
8:18 – Ligo a Máquina e tiro um espresso. Estou aperfeiçoando minha técnica, estou super rápido para fazer espressos agora.
8:25 – Acendo um baseado, parei de fumar cigarros.
9:35 – Já deixei recados e mandei emails para quase todos os meus amigos.
13:25 – Tomo um café e saio de casa.
Passo a tarde num périplo entre bares e cafés baianos. Sou xingado diversas vezes por ter acordado um monte de gente e ter interrompido umas tantas trepadas matinais.
20:45 – Tiro um cochilo no sofá da casa de um amigo. Sinto a pressão baixa.
23:30 – Desperto. Tomo um café de coador. Sinto fome.
23:50 – Pego os últimos pedaços de pizza da Real, perto da MTV. Mais dois cafés.
12:30 – Em casa, sem vontade de ver ninguém, num arroubo de mau humor, preparo e tomo em seguida três espressos. Meu estômago reclama.
Domingo
8:30 – Termino de escrever uma obra prima! Comemoro com um café. A Máquina já (ainda?) estava ligada.
8:45 – Tendo aprendido a lição do dia anterior penso bem antes de usar o telefone.
9:15 – Me encontro com as únicas pessoas que conheço que estão de pé essa hora para tomar café comigo; meus pais.
10:35 – Me despeço. Meus pais têm um olhar de preocupação.
15:45 – Termino o almoço no Genésio. Sinto muito sono apesar dos cafés.
17:30 – Levanto do sofá. Estou na minha sala, mas não me lembro muito bem de ter feito o caminho do bar até a casa.
19hs – Aparecem alguns amigos, que eu havia convidado nem me lembro quando para conhecer a Máquina de espressos. Demosntro todas as técnicas dominadas no curto porém intenso tempo de uso.
12:45 – Vou dormir, estou exausto.
Segunda-feira
7:30 – Acordo, me sinto um bagaço.
7:45 – Ligo a Máquina e tomo um café espresso. Meu estômago dói.
8:45 – Chega o email do meu cliente com correções e emendas para o frila.
14hs – Almoço e tomo um café. Agora, além da dor de estômago, sinto um mal estar estranho, um pouco de enjôo e dor de cabeça.
16hs – Estou suando frio, mas um telefonema do cliente aprovando o trabalho me anima. Penso em um espresso.
18:30 – Fumo um baseado e vou dormir.
Terça-feira
6:15 – Acordo e faço um chá.
Passo o dia todo trabalhando e evito olhar para a Máquina, que passa o dia descansando.
19:50 – Compro numa loja de presentes um jogo de xicrinhas de espresso.
21:40 – Termino o jantar e não tomo café.
Quarta-feira
8:00 – Meu estômago parou de doer. Faço uma promessa de não tomar mais de três espressos por dia.
14:45 – Quebro minha promessa depois do almoço, mas desligo a Máquina.
18:45 – Toca o telefone. Um frila, daqueles bem vampíricos, de virar noite e sugar o sangue. Ligo a Máquina.
13 janeiro 2007
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