De manhã ele brigou com a mulher.
Gritou impropérios, como não costumava fazer.
Mandou-a embora, quebrou os vasos, atirou os quadros ao chão.
Enlouquecido, esqueceu-se de comer.
Se deitou e dormiu um sono difícil até a tarde.
Quando despertou, a cabeça girando, não sabia dizer se havia sonhado
Caminhou pela casa, e escutava apenas o eco dos próprios passos.
Com os olhos baixos, viu a luz da janela da sala refletir palidamente no chão que há muito não era encerado.
A cozinha parecia mais branca, iluminada.
O banheiro, mais frio.
Quando se olhou no espelho, não se reconheceu.
A barba por fazer, o cabelo estranhamente arrumado.
Olhou de novo. Parecia alguém, um outro alguém, que ele não conhecia mas já havia visto em algum lugar.
Pensou nos porquês de tudo aquilo.
Se deu conta de que havia destruído muito mais que vasos e quadros.
Muito mais que seu relacionamento.
Teria de começar tudo outra vez.
Outros quadros, outros vasos e outra mulher.
Teria de sair em busca de tantas coisas.
Escolheria retratos? Bromélias? Uma mulher ruiva?
Raspou a barba, mas deixou um bigode.
Um pouco ridículo, um pouco falho, mas era um bigode.
Remendou os quadros.
Limpou a terra dos vasos.
E saiu em busca da mesma mulher.
09 outubro 2006
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3 comentários:
bah! eu tambem comecei o meu primeiro blog assim, por dizer coisas que ela nao queria ouvir ou que ja nao era necessario para nao dizer tardio...
espero que ainda te dê tempo...
Rapaz! Isso é ficção! Fora que ela deve ter sido uma das primeiras a ler, o texto não é tão novo assim
oloco david..
espero que nao seja voce nessa história.. principalmente pelo bigode falho huehuehe
abraço
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